sexta-feira, maio 26, 2006

A BIBLIOTECA PÚBLICA DE PENICHE E A SUA FORMAÇÃO AO LONGO DOS ANOS

Por: Fernando engenheiro
As BIBLIOTECAS são para o adulto o que a escola primária é para a criança.
A escola primária desenvolve a criança sob o triplice ponto de vista fisico, intelectual e moral e torna-a capaz de poder arrostar com as maiores dificuldades da vida. A biblioteca não so lhe continua o desenvolvimento do espírito como também, abrindo-lhe maiores e mais vastos horizontes, a torna capaz de grandes empreendimentos.
A escola primária é, pois, o primeiro degrau da grandiose escada do progresso, a biblioteca a continuação dessa escada.
A escola, ministrando conhecimentos rudimentares, prepara o espírito, a biblioteca, concentrando em si todos os ramos dos conhecimentos humanos, encaminha-o pela aurifulgente estrada da ciência que conduz ao progresso.
Não é, portanto, nos bancos das escolas, dos liceus, ou mesmo das universidades, que o homem aprende tudo o que necessita para se aproximar do fim a que a natureza o destinou. O complemento desta instrução reside unica e exclusivamente na leitura que depende dos livros.
Foram precisos muitos anos para que a maioria das autarquias entendesse que para o desenvolvimento cultural das suas terras havia necessidade de centros culturais onde o livro fosse a base principal da civilização.
Em Peniche fala-se pela primeira vez numa biblioteca publica apôs a morte do Dr. Pedro António Monteiro, ocorrida a 11 de Abril de 1928. Nas disposições contidas no seu testamento, na parte referente à Câmara Municipal lê-se o seguinte:
“Lego à Câmara Municipal do Peniche todos os livros de meu uso, para princípio de uma biblioteca pública. se lhos não tiver dado em vida”.

Por seus herdeiros, respeitando em parte as obrigações impostas no referido testamento, foi entregue à Câmara Municipal o espólio da livraria que possivelmente entenderam dar, pois que o testador usou da boa fé e não inventariou os volumes a serem entregues ao Municipio. Ouso pensar assim considerando a pequenez da livraria e a pouca importância dos seus volumes. Como não se justificava a criação de uma biblioteca com tão pouco espólio, os livros mantiveram-se depositados em lugar seguro, aguardando destino mais adequado.
Por largos anos Peniche e seu concelho continuaram privados de um espaço público onde os munícipes tivessem acesso à leitura pois que só nas colectividades recreativas existiam salas de leitura e pequenas bibliotecas para uso dos seus sócios.
Só a partir da década de 50, por disposições testamentárias de 18/6/1953, foi criada a FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN,
http://www.gulbenkian.pt/main.asp que tantos serviços tem prestada ao nosso Pais. Trata-se de uma instituição particular de reconhecida utilidade publica, com sede em Lisboa, pois o seu instituidor escolheu Portugal para instalar a sede da Fundação. Os seus fins são caritativos, artísticos, educativos e científicos, prestando assistência nos mais variados campos. Foram grandes, e continuam a sé-lo, os benefícios
dados por ela à cultura no nosso Pais. Um deles foi a criação pelo respectivo Conselho de Administração de uma rede de bibliotecas itinerantes que muito contribuíram para a difusão da cultura popular.

Eram servidas por umas carrinhas altas, fechadas, com a entrada pelas traseiras acedendo a um corredor central. Todo o espaço lateral era ocupado por estantes repletas de os livros para todas as idades. Foi com as visitas destas carrinhas que começou a grande campanha pela leitura infantil já que as crianças aderiram em massa. Peniche, bem como o seu concelho, a partir de então foi contemplado com a visita semanal da Biblioteca que emprestava livros com prazos marcados para a sua devolução.
Anos depois, atendendo à grande afluência de leitores, justificava-se plenamente uma biblioteca fixa, com atendimento diário e até com horários destacados dos de trabalho.
A sua criação contou com a colaboração do Municipio e da Direcção da Associação de Educação Fisica, Cultural e Recreativa Penichense que disponibilizou para o efeito uma sala da sua nova sede para aquele efeito. A inauguração realizou-se no dia 30/4/1 970. Ao acta presidiram, par parte da Fundação, o Dr. António Quadros, Director-Adjunto da Secção de Bibliotecas, e o Dr. Armando Terramoto, Chefe de Secção dos Serviços de Bibliotecas Fixas. Em representação da então Vila de Peniche estava o Presidente da Câmara, Francisco de Jesus Salvador, e membros da Vereação. Presente também toda a direcção da colectividade, orgãos de informação e muitos associados. Seguiu se, no salão de festas, um bebere te a que assistiram cerca de 50 pessoas. A Câmara Municipal ficou com o encargo anual de 6.000$00 a entregar àquela colectividade, verba destinada ao pagamento de gratificação ao encarregado da Biblioteca.
Ali funcionou até princípios de 1978, data em que aquela Colectividade necessitou do espaço ocupado. A Fundação solicitou da Câmara Municipal que assumisse o encargo de obter as instalações necessárias para a transferência, pois so assim seria possível continuar a dispensar a sua colaboração. Depois de alguns contratempos, já que havia várias opiniões quanta à sua localização, efectuou-se a transferência para o primeiro andar de um edificio camarário situado no Largo do Municipio que se encontrava desocupado pela saída da Repartição de Finanças para outro local.
Foi ali instalada, além da Biblioteca Calouste Gulbenkian, uma sala com todo património que a Câmara Municipal já possuía relativo a livros de consulta. A este espaço foi dado o nome do benemérita Dt Pedro Monteiro: “Sala Biblioteca Dr. Pedro Monteiro”. Numa outra sala do mesmo edificio foram expostos ao público objectos destinados a um futuro museu, incluindo velhos documentas e peças de vária ordem com interesse histórico local. Esta sala foi o embrião do actual Museu de Peniche.
As novas instalações foram inauguradas, em 1/3/1979, com a presença do Director das Bibliotecas Fixas da Fundação, Dr António Quadros Ferro, do Presidente da Câmara Municipal de Peniche, António Assalino Alves, do Prior das Freguesias de Peniche, Padre Manuel Bastos Rodrigues de Sousa, do Director do Jornal “A Voz do Mar, Prof. António Alves Seara, e de elementos camarários ligados à Fundação e funcionamento da instituição. Seguiu-se um almoço no restaurante “Nau dos Corvos” oferecido aos convidados.
Por deliberação camarária, a Biblioteca passou a dispor de um funcionário, transferido dos serviços da Secretaria Municipal, para atendimento a tempo inteiro ficando a superintender os serviços o encarregado do Arquivo Municipal.
A Câmara Municipal, tomando em consideração a necessidade que se fazia sentir de um funcionário com habilitações adequadas para o eficaz funcionamento da Biblioteca, por deliberação de 22/10/1980, aprovou o alargamento do seu quadro de pessoal com a criação de um lugar de auxiliar técnico de bibliotecas, o que a Assembleia Municipal sancionou a 12 de Dezembro do mesmo ano.
Em 22/2/1984 tomou posse uma e unica Auxiliar B.A.D. de 2. classe com o curso de bibliotecas. Ao longo dos anos este espaço cultural continuou o seu desenvolvimento justificando que na sua direcção fosse colocado um funcionário com conhecimentos mais profundos e específicos e, assim, a orientação da Biblioteca foi mais tarde confiada e uma funcionária licenciada em ciências da comunicação/ramo comunicação aplicada. Tomou posse a 3/11/1997.
Mais tarde, considerando insuficiente para as necessidades desta cidade e seu concelho o espaço ocupado pela Biblioteca, a Câmara Municipal entrou em negociações corn o Ministério da Justiça para que seja disponibilizado para o efeito o edificio construído em Peniche para residência do Director da antiga Cadeia do Forte de Peniche, situado na Rua Luis de Camões, n. 2 e 4, onde, até à sua transferência para o Palácio da Justiça desta cidade, funcionou o Cartório Notarial. É onde hoje se encontre a funcionar a Biblioteca. Trata-se de um espaço com boas condições para a leitura, estudo e lazer, situado em local aprazível.

Não era ainda o espaça ideal sendo, no entanto, para o momento, o melhor possível. Havia que ser melhorado e dinamizado, tanto pela aquisição de mais títulos como pela formação do pessoal e desenvolvimento de novas iniciativas. Depois de 2 meses de funcionamento, as novas instalações da Biblioteca Municipal e Calouste Gulbenkian foram inauguradas em cerimónia oficial a 2 de Abril de 1998. Contou este acto com a presença do Inspector Coordenador do Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação, Dr. Francisco Armanda Fernandes, do Presidente da Câmara Municipal, Jorge Gonçalves, do Prior das Freguesias de Peniche, Monsenhor Manuel Bastos Rodrigues de Sousa, bem como de diversas outras autoridades civis.
A actual gestão da Câmara Municipal continua a apostar na cultura e pretende, ainda dentro do seu mandato, dar o arranque para a construção de novas instalações para a Biblioteca, estas com maior amplitude e estudadas especificamente para o fim em vista.
Assim, obteve para o efeito a aprovação de uma candidatura de contrato-programa para a recuperação e adaptação do edificio da antiga Central Eléctrica de Peniche. O valor do investimento será de cerca de 498.797,90 euros (100 mil contos). A Administração Central comparticipa a obra com 50 par cento do seu custo, sendo o restante suportada pela Município.
A Câmara Municipal vai criar naquele espaço a nova Biblioteca Municipal, integrada na Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, e nela ficará, certamente, incluída a Calouste Gulbenkian, já que esta entidade é o seu maior apoio para a aquisição de livros.
Aguardemos até que se tome realidade.
Peniche, Julho de 2004. Voz do Mar

5 comentários:

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