sábado, novembro 07, 2009

APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE PENICHE

Por: Fernado Engenheiro
Foi no reinado de D. João I, a 25 de Agosto de 1395, que se publicou a primeira Carta Régia visando o combate aos incêndios.
Determinava que, em caso de incêndio, todos os habitantes de Lisboa, homens e mulheres, tinham de acorrer em socorro, munidos de machados, cântaros, potes e outros instrumentos que facilitassem o combate ao fogo. É este documento considerado a primeira ordenação que estabelece regras empíricas para apagar incêndios.
Embora nele se determine a colaboração da população essa ordenação não é mais do que um apelo ao voluntariado e à solidariedade que deve estar presente nos momentos de tragédia.
Só mais tarde, porém, talvez no reinado do D. João V, foi introduzida uma prática de combates aos fogos, baseada em experiências realizadas em França com resultados satisfatórios.
Criada, então a Companhia de Incêndios, transformada mais tarde em Corpo de Bombeiros foi, no entanto, por iniciativa de Guilherme Cossoul (1828-1880), que se instituiu a primeira Associação de bombeiros que no voluntário tinha a sua razão de ser.
Foi assim que, de época para época, numa evolução permanente, com a força de vontade de alguns e o espírito de servir de muitos, que se foram criando os alicerces e consolidando as estruturas dessas heróicas Corporações de Voluntários. Constituem hoje o fulcro, o dinamismo e a força dessas altruísticas Associações de Bombeiros Voluntários, formadas por homens desinteressados e íntegros, que sabem dar-se na protecção e defesa do semelhante.
Em Peniche não se sabe ao certo a data em que se criou uma instituição visando a defesa dos haveres e vidas dos cidadãos, em caso de fogos. O documento mais antigo que me foi possível consultar data de 20 de Julho de 1873, quando a Câmara Municipal aprova a seguinte deliberação:
Um oficio do Governador da Praça, pedindo à Câmara lhe dispense, para guardar a Bombas de apagar incêndios, uma casa que esta Câmara possui na rua da Palha, por ser mais central e no interior da povoação. A Câmara, em vista das ponderações feitas pelo dito Governador, concedeu a casa pedida para o fim indicado".
Tratava-se de uma dependência na actual Rua 13 de Infantaria pertencente à antiga Casa da Fanga (celeiro municipal) vendida a Emídio Balbino em 1905,
Tudo leva a crer que o voluntariado não existia, mas que a imposição imperava.
Não se sabe quando deixou de exercer estas funções, assim como se desconhece também rigorosamente o seu começo.
Havia que tomar algumas previdências para que se criasse um corpo de bombeiros pois os incêndios eram frequentes. De salientar o deflagrado de 13 para 14 de Fevereiro de 1922, às 22 horas, no armazém de redes das Armações do Romina, construído em madeira e localizado no exterior da muralha onde está hoje colocada uma traineira adaptada a bar.
Num outro ocorrido, em 28/10/1926, na mercearia de José do Rosário, em Peniche de Cima, resultou perda total.
Em sessão camarária de 4/6/1929, presidida por António Maria de Oliveira, tendo como colaboradores os Vogais Joaquim Guilherme Faria Junior e Miguel Olavo Franco foi tomada a seguinte deliberação:
"O Sr. Presidente lamenta que não exista em Peniche uma corporação de bombeiros e reconhecendo também que a Câmara não possui rendimentos que lhe bastem para crear uma corporação de bombeiros municipais, propõe que a Comissão Administrativa desta Câmara tome a iniciativa da organização de tão útil quão benemérita instituição, de forma que ela seja um facto dentro de pouco tempo. Propõe mais que para esse fim a Comissão Administrativa nomeie uma Comissão Organizadora que ficará sob o seu patrocínio a quem serão entregues as verbas que Câmara for metendo nos seus ornamentos ajudando assim a criação deste corpo de bombeiros. Aprovado por unanimidade.”
Não tardou que naquele mesmo mês, no dia dezasseis, fosse criada oficialmente a Associação dos Bombeiros Voluntários de Peniche.
Foi a sua primeira sede instalada no edifício dos Paços do Concelho, no rés do chão, funcionando no andar superior o actual salão nobre. Foi a primeira direcção constituída por António Maria de Oliveira (Presidente) - Aires Henriques Bolas (Secretário) - José Júlio Cerdeira (Tesoureiro) - António Adelino Gomes da Silva e António Nunes Ribeiro (Vogais).
Havia necessidade de um comandante para a corporação. Pelo ofício camarário nº. 188, foi solicitada ao Ministro das Finanças autorização para que o 1º Cabo da Guarda Fiscal António Nunes Ribeiro, empossado como vogal da Direcção, possa aceitar o lugar de instrutor e comandante da corporação, em organização nesta Vila.
Entretanto ingressou como comandante António Adelino Gomes da Silva, que ficou a chefiar inicialmente os seguintes bombeiros:
Manuel António Malheiros - Inácio Luís Ceia - José Rosado do Rio – José Maria Cartaxo - Antonio Martins – Casimiro Costa - Antonio Diogo da Costa - Inácio Maria de Abreu – Mário Nobre Leitão - Joaquim Rodrigues Tormenta - José Inácio Bandeira – Jacinto Inácio de Sousa - Lino Filipe Franco – Raul Dias Loureiro – Reinaldo Gomes – Angelo Gaspar da Mata - Manuel dos Santos Correia - José de Carvalho e Silva - José Maria das Neves – Joaquim Miguel Sousinha Júnior Quintino Augusto de Lemos - José Maria de Abreu – Joaquim Leal Paulo - José Pedro Junior.
A Autarquia logo no começo da sua organização foi solidária em tudo aquilo que lhe foi possível e esteve ao alcance das suas possibilidades financeiras.
Também o Comando Militar da Praça de Peniche pôs à disposição as dependências da Cidadela, bem como os terraços para as instruções, formaturas e tudo aquilo que estivesse ao abrigo da sua competência militar.
Para poderem desempenhar cabalmente e com eficiência a sua elevada missão, havia que providenciar a aquisição de apetrechos, mas o dinheiro era escasso. No primeiro ano e outros que se seguiram, para angariar receitas realizam-se quermesses, verbenas, jogos de futebol, gincanas, bailes, cinema, apresentaram-se grupos dramáticos, organizam-se festas diversas, incluindo a da "Flor", e até vacadas.
Também todas as receitas em posse da Comissão Pró-Monumento a Jacob Rodrigues Pereira, por ter sido posta de parte a ideia da sua construção, reverteram a favor dos bombeiros.
Tiveram logo o cuidado de, no princípio de 1930, construírem a Casa-Escola, conhecida pelo "Esqueleto", destinada aos exercícios daquela corporação. Para isso tiveram o auxílio da Autarquia, autorizando a exploração de toda a pedra que necessitassem, no sítio da "Gravanha", que ficava perto do local de implantação daquele imóvel, bem como de todo o madeiramento necessário, a obter do pinhal municipal. O local escolhido era um terreno particular, pelo qual a sua proprietária, D. Raquel Monteiro Cabral, exigia o pagamento mensal de 100$00. Havia toda a conveniência na criação daquele imóvel. Com o incremento dado à criação do Corpo de Bombeiros, a formação era também um importante objectivo a prosseguir, verificando-se uma acentuada tendência para a construção das chamadas casas-escolas, onde era, e hoje ainda é, com exercícios práticos, ministrada a instrução a nível interno.
Em Abril do mesmo ano é feita a encomenda de um carro braçal de escadas por 6.130$00, não incluindo o despacho em caminho de ferro da cidade do Porto até a estação de S. Mamede (Oeste) na importância de 613$20. Este carro encontra-se hoje exposto na sala que serve de museu no novo edifício da Corporação.
Com a criação da Liga dos Bombeiros Portugueses, em 18 de Agosto de 1930, não tardou que, a 23 de Abril de 1932, fossem aprovados pelo Governador Civil deste Distrito, os Estatutos da Associação dos Bombeiros Voluntários de Peniche.
Foram apresentados, a 8 de Setembro do mesmo ano, pela comissão organizadora constituída por: José Júlio Cerdeira - José do Nascimento Ginja - António Nunes Ribeiro - António Adelino Gomes da Silva e Aires Henriques Bolas.
Em Dezembro de 1934, a Câmara Municipal de Peniche é, pela primeira vez, objecto de uma manifestação pública de agradecimento da A. B. V. de Peniche, pela grande colaboração dada nas festividades de Agosto e Setembro daquele ano. Foi-lhe entregue pela Direcção o documento de reconhecimento assinado por Francisco de Freitas Trindade - Aires Henriques Bolas - José Júlio Cerdeira - e pelo Comandante António Adelino Gomes da Silva.
Não sendo possível o desempenho das suas funções sem o mínimo de condições, continuou a luta para a aquisição de mais material. Em 1935 já possuíam 3 carros de tracção braçal, que se distinguiam por "bomba braçal com deposito para água" (caldeira) – “carro escada” e “material diverso”. Em 1935 entram em negociações com a Firma Guérin, L.da, de Lisboa, para a compra de uma camioneta da marca "Fargo", com o fim de aproveitar o chassis adaptando-o a pronto socorro. Por deliberação camarária de 25/2/1935 foram concedidos plenos poderes ao Vice-Presidente da Câmara, António da Conceição Bento, que também desempenhava as funções de Tesoureiro daquela Corporação, para representar a Câmara junto da referida firma e da Alfândega de Lisboa para a aquisição do veículo. Ficou a despesa por 20.500$00, sendo pagos pela Autarquia 15.500$00 e ficando o restante a cargo da Corporação.
No mesmo ano, também a Câmara se responsabilizou pelo pagamento de uma moto bomba, tipo Liliput Magyrus, fornecida pela Firma H. Vaultier, pela importância de 22.500$00, sendo o maquinismo para lançar a água na extinção de incêndios por 15.000$00 e o restante em utensílios para adaptar na referida máquina. Foi na época uma aquisição de grande utilidade.
Ainda hoje são bombas aspirantes-prementes, accionadas sempre mecanicamente, que elevam a água de poços ou de tanques portáteis, alimentados pelas bocas de incêndios dos prédios ou dos passeios das ruas, em ligação com a rede de distribuição de água. Têm estas bombas anexos compressores de ar, que o motor dos carros acciona, os quais comprimem a água até à pressão suficiente para que, pelas mangueiras ligadas à bomba, possa a água jorrar à altura precisa.
Todas estas aquisições tinham o problema da sua recolha resolvido pois que aquela Corporação, a partir de Setembro de 1932, fez a sua transferência para o Largo D. Pedro V.
Tratava-se de um armazém pertencente a um edifício que o seu proprietário, Sr. António Andrade, industrial em Peniche, tinha alugado para sede da "Cooperativa Auxiliadora Penichense, Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada”, constituída por escritura em 2 de Setembro de 1919, cujos destinos eram dirigidos pelo próprio proprietário do imóvel e por Miguel Olavo Franco, Mário José Gomes e José do Rosário Leitão.
Com consentimento do senhorio, foi aquele espaço subalugado à Associação dos Bombeiros Voluntários de Peniche, cabendo a responsabilidade do aluguer àquela Cooperativa, por 90$00 mensais.
Só mais tarde, em Setembro de 1946, já sendo proprietário o Dr. Jaime Silva Sardinha Mota, residente em Baleizão (genro do Sr. António Andrade), foi feito o contrato de arrendamento, por 120$00 mensais, a favor daquela Corporação. Com a boa vontade do inquilino foram dispensadas, a partir de 5 de Abril de 1937, as dependências da parte de trás, que dava para a rua Tenente Valadim, ficando o quartel mais espaçoso. Era naquele espaço que a Cooperativa depositava a lenha para distribuir em épocas de crises pelos mais necessitados.
Em 1937 pairava já a ideia de um novo quartel, tendo sido o Arquitecto Paulino Montez convidado para a elaboração do projecto, mas tudo ficou na gaveta.
A luta por fazerem mais e melhor era constante e a acção dos bombeiros não se ficava só pelos incêndios. As grandes tarefas de socorro que se apresentavam no dia a dia, cada uma com o seu problema específico, fez sentir àqueles soldados da paz a necessidade de melhor se apetrecharem, confrontados muitas vezes com situações de perigo no combate a incêndios, ficando eles próprios sujeitos a traumatismos, queimaduras, asfixia e, em alguns casos, afogamentos. Assim, cedo se aperceberam das suas carências no campo da saúde.
Em 1940, quando o transporte de feridos e doentes era encarado como uma prioridade pela Associação, a Junta de Província da Estremadura cedeu-lhe, a título gratuito, um automóvel, com o fim de ser adaptado a auto-maca.
No que respeita à representação dos Bombeiros, logo após a aprovação dos estatutos, havia que pensar num “emblema” que distinguisse aquela Corporação. Com as sugestões de Afonso Dornellas, da Associação dos Arqueólogos Portugueses, expressas, com exemplar propriedade no brasão adaptado pela Liga dos Bombeiros Portugueses, foi criado para esta Corporação o seguinte distintivo:
"Brasão da então Vila de Peniche, sobreposto a um trofeu, constituído por dois machados cruzados em aspa, e o conjunto suportado
por uma fénix, de asas soltadas. Sotoposto ao escudo, um listel com a legenda: "VIDA POR VIDA". Bandeira com o fundo esquartelado: o primeiro e o quarto a vermelho; o segundo e o terceiro a preto. Também para vincular a sua representação em cerimónias diversas, havia que mandar fazer um estandarte. Foi convidada a Ex.ma Sr.ª D. Isabel Ribeiro Artur a constituir uma comissão de Senhoras para colaborarem na obtenção de fundos para aquele efeito. Foi na devida altura encarregada da elaboração do trabalho a Ex.ma Sr.ª D. Beatriz de Sousa Tavares, natural de Peniche e residente em Lisboa, pessoa cujos méritos em trabalhos daquela natureza eram já sobejamente reconhecidos no nosso meio, autora que já era do estandarte municipal.
Em Novembro de 1940 é recebida com grande júbilo a notícia de que a Autarquia, da Presidência de Luís Pedroso da Silva Campos, resolvera mandar instalar um telefone naquela Associação, sem encargos para a colectividade.
Também em Maio de 1944 os consórcios Sr. Joaquim Guilherme Faria Júnior e Luís Correia Peixoto ofereceram para ser montada no telhado da sede uma "sirene”. Ficou assim dispensado o auxílio do sino grande das torres das Igrejas de S. Pedro e de Nª. Sª. da Ajuda, de que permanentemente pendiam cordas para o exterior, com a finalidade de serem usados para alarmes quando ocorriam situações carentes da intervenção dos bombeiros.
Depois de 30 anos de actividade, em que estiveram no Comando dos Bombeiros António Adelino Gomes da Silva, António Alves, Joaquim de Paiva, Alberto Monteiro de Proença e Manuel António Malheiros, entrou ao serviço da Corporação como seu Comandante, em Novembro de 1958, Luís Filipe Jordão Vidal de Carvalho, homem dinâmico, com os seus 30 anos de idade, cheio de boa vontade de servir e de acertar.
A Corporação sentiu desde logo o seu entusiasmo e a humanitária colectividade viveu um salutar remoçamento, promessa dum regresso aos tempos em que os Voluntários de Peniche lograram um crédito que os guindou a invejável altura, renovação que saltava aos olhos dos que de perto acompanhavam a vida da instituição. O interesse de então não somente se manteve mas foi avolumado, mercê de um querer forte, secundado por toda a Corporação.
A 23/7/1961, na presença do Ministro das Obras Públicas, Engenheiro Arantes e Oliveira, bem como de um representante do Ministro do Interior (actual Ministério da Administração Interna) e delegações de 10 corporações deste Distrito, fossem benzidas, em frente da Igreja de S. Pedro, 3 novas viaturas: um auto-tanque pronto socorro, uma ambulância e um “jeep”. Tiveram como madrinhas, respectivamente, as Sr.as D. Mariette Monteiro Dias Bento, menina Dulce Freire Vidal de Carvalho e D. Maria da Glória Salvador Henriques.
Também no mesmo dia foi inaugurada a Casa Escola no logradouro do futuro quartel, nas imediações da rua do Matinho. Foi dado àquela construção o nome de António da Conceição Bento, Presidente da Câmara Municipal na época.
Na década de 60, o Instituto de Socorros a Náufragos fez uma consulta à Corporação dos Bombeiros para saber se estava interessada e capacitada para colaborar com o Instituto na área do salvamento marítimo. Como já era do conhecimento geral, sempre que havia problemas de naufrágios, os Bombeiros Voluntários estavam de mãos dadas com aquela Entidade. Não faltavam boas informações. Desde Março de 1933 o Capitão do Porto de Peniche pôs à disposição dos Bombeiros o carro porta cabos daquela organização marítima.
Por tudo isto, a 17/5/1966, na Praça Jacob Rodrigues Pereira, foi entregue à Corporação, pelo Comandante do Porto de Peniche, então o Capitão Tenente Muñoz, na qualidade de Inspector do I. S. N., depois de benzida pelo Padre António da Silva d'Almeida, natural de Salreu, na altura ao serviço da Colónia Infantil de N.ª Sr.ª dos Remédios, a viatura Land Rower "Porta Cabos", material da maior utilidade para o salvamento de sinistrados no mar, pelo aumento das possibilidades de socorrer a quantos a tragédia bate à porta.
Por deliberação camarária de 19/6/1962, foi atribuído aos "Soldados da Paz" que formam a Corporação dos Bombeiros Voluntários de Peniche, pelas acções desenvolvidas a bem de Peniche e Concelho, a "Medalha em Ouro de recompensa da Vila de Peniche".
Impunha-se a construção de um novo quartel. Já não era possível, com um corpo de bombeiros em plena forma e um grupo de 6 viaturas, sendo 4 para combate a incêndios, 1 para socorros a náufragos, com respectivo atrelado, uma outra para serviços de ambulância, 2 moto bombas para serviços de incêndios e outras tantas para serviço de esgotamento, manter-se a Corporação num pobre e modestíssimo quartel, em edifício de renda, incapaz para acomodar todo o pessoal e material. Assim, em 1969, para obtenção do necessário terreno junto da Casa-Escola da Travessa do Matinho, foi adquirido um armazém a Emídio Barradas, por 350.000$00. (Escritura de 16/12/1969, lavrada no Lº de Notas nº. 20 do Notário Privativo da C.M.P.). Meses antes, em Junho do mesmo ano, num terreno municipal contíguo havia já sido lançada a primeira pedra do novo Quartel, na presença do Inspector de Incêndios da Zona Sul, Coronel Rogério de Campos Cansado, acompanhado pelo então Presidente da Câmara, Vítor João Albino de Almeida Baltazar.
Aproveitando a cerimónia, foram benzidas pelo Pároco das Freguesias de Peniche as viaturas que tinham sido recentemente
adquiridas: uma "Citroen ID", a que foi dado o nome de "Vila de Peniche", tendo sido madrinha a esposa do Sr. Presidente da Câmara, Ex.ma Sra. D. Helena Baltazar, e um carro de nevoeiro (G.M.C.) - todo o terreno, baptizado com o nome do Comandante da Corporação, Sr. Luís Filipe Jordão Vidal de Carvalho, tendo sido madrinha a esposa deste, Ex.ma Sra. D. Ruth Freire Vidal de Carvalho.
A 3/7/1969 está em bom andamento a concretização do novo quartel na Travessa do Matinho, sendo apresentado por aquela Associação Humanitária um ante-projecto da obra, da autoria do ex-Padre Sr. Alcides dos Santos Martins, filho que foi desta terra, que se dignou ofertar todos os trabalhos de gabinete.
Em 2/9/1970, a Edilidade aprova, por unanimidade, a alienação gratuita à Associação dos Bombeiros de 948 m2 de terreno para ali ser implantado o seu quartel/sede.
Em aditamento àquela cedência, a Direcção-Geral de Administração Política e Civil do Ministério do Interior, impõe algumas cláusulas. É de salientar a alínea b): - "Se não for cumprido o prazo estipulado ou se ao terreno cedido for dado destino diferente daquele que justifique a cedência gratuita, reverterá o mesmo para o Município incluindo as benfeitorias nele efectuadas, sem direito a qualquer indemnização.”. Também o Governo Civil do Distrito se pronunciou sobre o assunto concordando com as deliberações camarárias de 2 de Setembro e 2 de Dezembro de 1970, bem como com as cláusulas propostas pela Direcção Geral de A. P. C. do Ministério do Interior. Todo este processo culminou com o despacho ministerial de aprovação de 12 de Julho de 1971.
Foi grande a labuta para se conseguir alcançar o objectivo desejado. Toda a Corporação se empenhou na construção do novo Quartel, tendo a trabalhar ao lado do seu Comandante Luís Filipe, o Presidente da Direcção Jacinto Teodósio Ribeiro Pedrosa.
Em fins de Outubro de 1972 está concluída a 1ª. fase das obras do novo quartel dos bombeiros, começando nesta data a ser utilizado o respectivo parque de viaturas. Surgem as primeiras bandeiras na sua fachada inacabada. Resolveu a Direcção, com o acordo unanime do corpo activo, dar a este parque de viaturas o nome do seu Comandante.
Procedeu-se à transferencia das viaturas para a nova unidade e foi com uma ponta de saudade e comoção que se assistiu à passagem do primeiro pronto-socorro dos B.V.P. Foram bombeiros daqueles primeiros tempos que o conduziram: Manuel António Malheiros, António Belarmino Rodrigues, José do Rio e Luís Caseiro.
Em Maio de 1976, como já havia lugar para as viaturas, um grupo de bombeiros, constituindo-se em grupo de iniciativa a que deram o nome de "Movimento Pró-Bombeiros" adquiriu e ofereceu à própria Corporação uma nova ambulância, devidamente equipada, de marca "Peugeot 504".
Conforme lhes foi possível, continuaram a proceder a novas aquisições. Em fins do ano de 1978, foi adquirida uma nova viatura de combates a incêndios.
Durante o ano de 1983 foi aumentado o património da Associação com mais uma ambulância "Renault", viatura equipada com suspensão especial para transporte de 2 sinistrados, ou doentes, e 2 acompanhantes, bem como com uma auto-escada “Magirus" importada da Inglaterra.
Não obstante toda a boa vontade e esforço despendido, estas aquisições só foram possíveis com forte apoio financeiro da Autarquia.
Por deliberação camarária de 23/14/1985, foi concedida comparticipação para a obtenção de um auto-pronto socorro.
Também no cumprimento do programa festivo das comemorações do 58º aniversário da Associação Humanitária foram benzidas 3 novas viaturas: um auto-tanque pesado, uma ambulância de transporte e uma de pronto-socorro. Todos estes meios de socorrismo vieram concorrer para melhorar a qualidade e a eficácia dos serviços que aos bombeiros competem, exigindo também deles maior grau de formação técnica.
Como parte do programa deste mesmo dia, procedeu-se à inauguração de um monumento ao bombeiro, constituído por uma bela peça em bronze que foi colocada na fachada do quartel.
Mais um ano decorrido que não deixou de ser assinalado com um novo pronto-socorro equipado com vários rolos de mangueiras para combate a incêndios de matérias combustíveis.
Em meados de 1989, começaram os Corpos Gerentes desta Instituição a notar que, mesmo com ampliações que se fizeram em terrenos confinantes com o quartel, adquiridos, por compra, pelo Município, as instalações se mostravam insuficientes para o grande movimento que os Bombeiros registavam.
Assim, em 24 de Agosto de 1989, a Associação dirigiu uma carta à Câmara Municipal apresentando alternativas previstas para a implantação de um novo quartel.
Na reunião camarária de 8/5/1990 estiveram presentes todos os representantes da Associação dos Bombeiros, recentemente eleitos. O Senhor Júlio Alberto São Bento Correia, Presidente da Direcção, referiu-se ao novo quartel dos Bombeiros informando a Edilidade de que a elaboração do projecto havia sido confiada a uma equipa de arquitectos, encontrando-se já concluído o estudo preliminar. Disse tratar-se de um
Quartel do tipo C, com parada do tipo D, dimensionado para o serviço de áreas com oitenta mil habitantes, e que ia ser dotado com um heliporto.
Como o terreno destinado à implantação do edifício já tinha sido escolhido, a Câmara, na mesma reunião, concedeu autorização para a colocação de uma placa informando o público das novas instalações.
Na sequência do já deliberado sobre o assunto, em reunião camarária de 26/6/1990, foi aprovada a localização do novo quartel dos Bombeiros Voluntários de Peniche, na Prageira, no gaveto formado pela Avenida do Porto de Pesca e pela Rua da Ponte Velha, a nascente desta.
Por deliberação camarária de 9/10/1995, foi cedida a esta Associação, pelo valor simbólico de 5.000$00, a necessária parcela de terreno, com 12 800 m2, sita na Prageira, junto a Rua da Ponte Velha, com destino à construção do novo quartel.
Em pouco mais de 3 anos, a um Sábado, dia 13 de Março de 1999, é concretizado o grande sonho da Associação para a cidade de Peniche. Naquela tarde procedeu-se à cerimónia do arrear das bandeiras do antigo quartel, pelo Comandante em exercício Jacinto Teodósio Ribeiro Pedrosa, pelo graduado mais antigo Joaquim Rogério e pelo Presidente da Direcção Júlio Alberto São Bento Correia. Já pela tarde fora, com a presença de Sua Excelência o Sr. Presidente da Republica, Dr. Jorge Sampaio, acompanhado por altas personalidades civis e militares, entre as quais se encontrava o Secretário do Estado da Administração Interna, Armando Vara, foi inaugurado o Novo Quartel, acto a que se seguiu uma sessão solene.

APONTAMENTOS DIVERSOS:
- Em 21/7/1929, passado pouco mais de um mês da criação dos Bombeiros, o Governador Civil deste Distrito visitou Peniche, a fim de verificar as necessidades que aqui existiam. A guarda de honra foi feita pela nova Corporação dos Bombeiros Voluntários, que nesse dia tiveram a sua primeira formatura oficial, acompanhada pela Banda da Filarmónica Penichense.
- A fim de angariar fundos para auxiliar a manutenção dos serviços, os Bombeiros durante largos anos exploraram uma sala de bailes com bar. Tratava-se de um armazém propriedade de José Gago da Silva, onde havia funcionado uma fábrica da indústria de conservas de peixe, sito na Travessa de N.ª Sr.ª da Conceição. Era conhecido pelo baile do "Esfrega”.
- A actual Fanfarra teve o seu começo entre 1945/46, com poucos elementos que tocavam clarim. Estre eles destacaram-se José Matias, Joaquim Alves Bartolomeu e Renato Neves.
- A Associação dos Bombeiros, em 14/4/1969, prestou guarda de honra ao Chefe do Estado, Almirante Américo de Deus Rodrigues Tomás, distinguindo esta personalidade com o mais alto galardão da colectividade, ou seja o grau de Sócio Honorário.
- No dia do 43º. aniversário da fundação da Corporação, fez parte do programa das comemorações o descerramento da lápide que designa por Rua dos Bombeiros Voluntários a antiga Travessa do Matinho.
- Aquando da passagem do 46º. Aniversário da Associação foi-lhe concedida pela Liga dos Bombeiros Portugueses a medalha de ouro de duas estrelas distinguindo assim este Corpo pelo seu serviço à causa do voluntariado.
- Em sua reunião de 13/6/1979, a Câmara Municipal de Peniche mandou exarar na respectiva acta um voto de público louvor e agradecimento àquela benemérita instituição, sua Direcção, Comando e Corpo Activo, pela sua abnegação, coragem e dedicação ao longo de cinquenta anos, devotados ao serviço de toda a população do nosso concelho.
- Na celebração destas bodas de ouro foi agraciado, pelo Conselho Administrativo e Técnico da Liga dos Bombeiros Portugueses, o Comandante Luís Filipe Jordão Vidal de Carvalho, com a medalha de ouro, duas estrelas, pelos seus relevantes serviços.
- Nas comemorações do 58º aniversário da Associação um dos momentos altos das festividades foi, em 21 de Junho, a sessão solene com a atribuição de condecorações por assiduidade. De salientar, com a medalha de ouro: o 2º Comandante Joaquim Barradas Leitão, o Bombeiro de 1º classe António Berto Martins Alfaiate e o motorista auxiliar Hernani dos Santos do Carmo.
- Também ao 2º. Comandante Leitão, além das medalhas que já possuía, foi atribuída pelo Município, em reunião de 23/3/93, a Medalha de Prata de Mérito Municipal por Benemerência.
- Por escrutínio secreto e por unanimidade, foi atribuída a titulo póstumo medalha idêntica a José António da Lídia Belo, tendo-se associado a esta homenagem a Liga dos Bombeiros Portugueses com a atribuição da sua medalha de ouro. Para perpetuar a memória deste benemérito, que destinou à Associação dos Bombeiros Voluntários de Peniche um donativo de 30.000.000$00 para ser aplicado na construção do novo quartel, foi dado o seu nome ao novo parque de viaturas de incêndios.
- De referir algumas condecorações concedidas ao Comandante Jacinto Teodósio Ribeiro Pedrosa, pelos relevantes serviços prestados à nobre causa dos Bombeiros: 1 crachá de ouro, a 27/10/1996, em cerimónia realizada em Caldas da Rainha aquando do 36º Congresso Nacional da Liga dos Bombeiros Portugueses, bem como a Medalha de Honra do Município, cunhada a ouro, aprovada em reunião camarária de 4/11/1996, por proposta dos Vereadores do Partido Socialista.
- Seria aqui um nunca mais acabar com os reconhecimentos dados pelo Município, Liga dos Bombeiros Portugueses e pela própria Instituição aos seus Soldados da Paz que têm servido o nosso Concelho.
- Quiseram também os nossos Bombeiros seguir a antiquíssima tradição e praxe mundialmente difundida adoptando um orago ou padroeiro de cariz religioso. Talvez por na sua biografia estar incluída a fama de um milagre na extinção de um incêndio urbano e pelas curas do mal ardente, a escolha recaiu em "S. Marçal", Bispo da Igreja.
- Também aquela Corporação quis honrar os seus mortos inumando-os o mais próximo possível uns dos outros. A seu pedido, foi deliberado pela Câmara Municipal que fossem destinados a constituir o talhão privativo dos Bombeiros Voluntários, os covais números cinco a doze das filas um a três do talhão 10 do Cemitério Municipal de Peniche.
- O emblema da Associação colocado na fachada do novo Quartel dos Bombeiros Voluntários de Peniche é uma excelente peça de louça artística oferecida pelo seu autor, Sr. Álvaro José de Oliveira Mendes, de Caldas da Rainha, que assim, com a sua arte e o seu meritório gesto, quis homenagear a terra natal de sua esposa Sra. D. Maria José de Carvalho Nicolau.


SÓCIOS FUNDADORES DA ASSOCIAÇÃO DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE PENICHE
Francisco Maria Freire
José Augusto Chaves
Francisco José Machado Júnior
António Maria de Sousa
Joviano Passos Coelho
Fernando A. Ferreira
João Henriques Bolas
Torquato de Jesus Leitão
José Pedro
Saul Gonçalves
José Ferreira Duarte Montez (ou Montes)
Manuel Joaquim Bento
Mário de Almeida Neves
Manuel do Nascimento Júnior
Afonso leitão Costa
José Franco Lobo
João Baptista Frazão (Dr.)
Antero de Ascenção Leitão
Augusto Veloso
José Acúrcio Vidal de Carvalho
José Manuel dos Santos Ginja
António Luís Pereira Montez
Acácio de Sousa Lacerda
Dionísio Rodrigues Marques
José Maria de Carvalho Oliveira
António Evaristo Miranda
Vasco da Gama Leitão
Cláudio Leitão
Francisco de Freitas Trindade
Joaquim Guilherme de Faria Júnior

PRESIDENTES DAS DIRECÇÕES DA ASSOCIAÇÃO DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE PENICHE, DESDE A SUA FUNDAÇÃO
1929 – António Maria de Oliveira
1933 – Dr. João Baptista Frazão
1934 – Francisco de Freitas Trindade
1935/36 – João Mendes Madeira Sobrinho
1937 – Dr. João Baptista Frazão
1938/39 – João Mendes Madeira Sobrinho
1940/41 – Adelino Henriques Gaspar dos Santos
1942 – Dr. José Sales Gomes
1953/57 – Aires Henriques Bolas
1963 – Luís Filipe Jordão Vidal de Carvalho
1965 – Vítor João Albino de Almeida Baltazar
1966/68 – Luís Filipe Jordão Vidal de Carvalho
1976 – Jacinto Teodósio Ribeiro Pedrosa
1977 – Pedro Manuel da Trindade Pinto Soares
1978/79 – António Agostinho Godinho Coelho e Silva
1980 – Jacinto Teodósio Ribeiro Pedrosa
1981/83 – Nelson Rocha
1984/87 – Carlos Alberto dos Santos
1988/89 – Armando Faria da Silva Fandinga
1990/2000 – Júlio Alberto São Bento Correia
2001 – Evaristo da Silva Cavalheiro

COMANDANTES DA CORPORAÇÃO DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE PENICHE, DESDE A SUA FUNDAÇÃO
27/11/1932 – Para 2º Comandante António Adelino Gomes da Silva (já vinha a exercer interinamente o comando desde a fundação)
04/01/1937 – 1º Comandante António Alves
06/05/1940 – 1º Comandante Joaquim de Paiva
31/10/1942 – 1º Comandante Alberto Monteiro de Proença
31/10/1942 – 2º Comandante Manuel António Malheiros
05/11/1958 – 1º Comandante Luís Filipe Jordão Vidal de Carvalho
1981 – 1º Comandante Jacinto Teodósio Ribeiro Pedrosa
19/12/1980 – 2º Comandante Joaquim Barradas Leitão
1999 – 1º Comandante Carlos Alberto Remígio Garcia

Agradecimento a Nuno Miguel Leitão pelas fotos nmnleitao@gmail.com

sábado, outubro 17, 2009

quinta-feira, outubro 15, 2009

APONTAMENTOS DA 1° GRANDE GUERRA COM REFERENCIA A PENICHE E SEU CONCELHO

Por: Fernando Engenheiro
Como é sabido, a 1° Grande Guerre teve a sua origem no assassinato, a 28 de Junho de 1914, na cidade de Sarajevo, dos principes herdeiros da Áustria arquiduque Francisco Fernando e sua mulher, e duquesa Hohenberg”.
Foram autores deste crimes, o estudante sérvio Princip Carulo e um tipografo de nome Cambrinovich.
Este acontecimento iria ter graves repercussões nos Impérios Centrais e, como se verificou, não estava fora de causa, a curto ou longo prazo, o envolvimento das outras nações europeias.
Embora o nosso pais não estivesse ligado à tragédia bem podia sofrer as consequências dela,
Atendendo à nossa aliança com o império Britânico não deixaríamos, a seu tempo, de assumir responsabilidades no conflito. A situação geográfica de Portugal, então disperso pelo mundo, também nos punha em alerta.
Tinha-se acendido o barril de pólvora que conduziu à 1° Guerra Mundial.
Tendo e Austria rompido com e Sérvia, os acontecimentos em cadeia levaram ao estado de guerra entre a Grã-Bretanha e a Alemanha, no dia 4 de Agosto.
Logo e seguir, as hostilidades estenderam-se à França, que foi invadida pelas tropas alemãs,
Não perdemos pela demora por sermos cobiçados como aliados da Inglaterra, a quem a França pediu auxilio. Foram longas e sucessivas as conferências entra o exército português e as duas missões, uma inglesa e outra francesa, chefiadas respectivamente o general Bernardistou e pelo Coronel Paris.
Os Doutores Afonso Costa e Augusto Soares foram em missão a Paris e a Londres, para obter garantias quanto à nossa entrada oficial no conflito. O Ministério precisava de dinheiro para ocorrer aos encargos de guerra. Tal decisão punha graves compromissos de ordem financeira e militar.
O ministério britânico comprometeu-se a fazer os empréstimos necessários para e sua participação no conflito se efectuar no momento oportuno.
Demoraram-se aqueles estadistas estrangeiros, em Portugal, desde 30 de Agosto de 1916 até 3 de Janeiro do ano seguinte.
Só nesse último dia Portugal se decidiu a assinar as condições em que se realizaria a colaboração militar portuguesa.
O País estava e passar por uma crise financeira bastante avultada, pois que uma grande parte das suas economias já estavam e ser desviadas para as colónias.
Havia também que defender aqueles territórios com a presença de tropas do continente.
Os alemães não nos perdoavam por vivermos de boas relações diplomáticas e termos enveredado com uma linha que não correspondia aos interesses do seu Pais.
Por isso pagámos bem caro, com os ataques feitos às nossas Províncias Ultramarinas. em que foram ceifadas muitas vidas portuguesas.
Para dar cumprimento a todas as obrigações assumidas só havia uma alternativa: decretar a mobilização geral dos 18 aos 45 anos, incluindo as reinspecções. Alistaram-se milhares de jovens e chamaram-se os licenciados e outros reservistas.
Por Decreto de 17 de Ja neiro de 1917, foi ordenada a primeira expedição, a 26 do mesmo mês, com destino a Brest.
Antes de deixar as terras, as tropas destilavam no meio dos aplausos e lágrimas da população , a qual não podia deixar de sentir um orgulho maculado de tristeza pelo futuro incerto dos seus familiares.
Um mês depois partiu o segundo contingente.
Veio finalmente a constituir-se em França um Núcleo militar português de algumas dezenas de milhares de homens.
Atravessaram mil vicissitudes, derivadas, nos primeiros tempos, das deficiências de organização dum improvisado exército. Nos últimos, da latta dum adequado reforço de tropas frescas.
Afrontando trabalho e doenças; suportando as inclemências do clima e do desconforto, também sofreram as agruras morais e físicas próprias da guerra.
Peniche, e seu Concelho, não passou ao lado com os seus filhos, pois também os viu partir para longe, no cumprimento de um doloroso dever.
A troca de correspondência, com os seus familiares, futuras noivas e amigos, era animadora, embora a secção onde funcionava a censura estivesse sempre de olhos abertos.
Não reflectia aquilo que se estava a passar na realidade.
No fim de Julho de 1917, o boletim do general Tamagnini de Abreu registava 34 mortos na primeira quinzena do mês, com mais 185 feridos e 15 desaparecidos.
Em Lisboa continuava o embarque de tropas à média de 4.090 homens por mês, faltando ainda vários milhares para o cômputo dos 55.000 que deviam constituir o Corpo Expedicionário Português .
Nele estavam incluídos os nossos conterrâneos: tenente-médico Dr. José Bonifácio da Silva, os segundos sargentos, Francisco Ferreira da Silva - Francisco do Rosário Leitão - ,José da Costa Belo - José Casimiro José Franco Lobo — Luis Pedroso da Silva Campos — Virgilio Camiller Dias e João Martinho e os soldados Aldino Agostinho, António Maria de Abreu — António dos Santos Redondo — Carlos Joaquim da Cruz — Eduardo da Costa — Francisco Cordeiro — João Monteiro — Joaquim Duarte Barradas — Joaquim Loca — José do Nascimento Gorjão — José Alípio da Mata — José do Nascimento Fanha — José Vicente Henriques — Manuel do Nascimento Ginja — Manuel Porfirio dos Santos — Pedro Ximenes — Silvino Quaresma — Francisco da Silva — Avelino Martins e José Idefonso Ramos.
Para Africa seguiram o cabo-enfermeiro Dâmaso Luis Seia e os soldados Arnaldo dos Santos Polonio
-José Alípio da Mata (que prestou igualmente serviço em França) e Noé de Jesus Santos.
A 9 de Abril de 1918 o Pais foi sobressaltado com a terrível noticia de que uma parte do Corpo Expedicionário Português, sofrera uma violenta derrota na Batalha de La Lys.
Foi nas margens do rio Lys, na Flandre Francesa, que se deu a fatidica tragédia.
Com 60.000 obuses de guerra e 70.000 obuses de granadas caídos, durante très horas e meia, sobre as tropas portuguesas.
Foi um bombardeamento muito intenso realizado palo VI exército alemão (Von Quast), numa manhã de intenso nevoeiro.
A infantaria inimiga só podia ser vista a 30 metros das trincheiras onde estavam as tropas portuguesas.
Foi da maiores catastrofes desta guerre. Entre mortos, feridos e prisioneiros o Corpo Expedicionário
Português perdeu 11.000 homens.
Deixou de existir como Corpo autônomo. Os restos de artilharia e de infantaria foram incorporados no exército inglês. O que restava das tropas portuguesas, desmoralizadas, estava entregue à sua sorte.
Aperceberam-se, depois, que o seu esforço de guerra foi sabotado na retaguarda, pelo que para o bom andamento dos trabalhos nada valia o seu empanho.
Cobriram-se de luto muitas familias com esta jornada trágica.
Dois meses depois, publicava-se a impressionante lista de mortos, feridos e prisioneiros do 9 de Abril.
Aumentou o sentimento de pesar em muitos lares e envolveu a alma portuguesa de profunda consternação.
Para Peniche foi enviada pelo Regimento de infantaria n° 5, de Caldas de Rainha, a relação dos militares que tombaram no cumprimento dos seus deveres e a informação de que seus despojos ficavam para sempre fora de sua Mãe Pátria.
Foram eles: Mobilizados pelo Regimento de Infantaria n°5: João Martinho, 2,° Sargento, e os Soldados Francisco Silva, n. 692 - José do Nascimento Gorjão , 744 - Avelino Martins, 764 e Joaquim Ildefonso Ramos, 755.
Do Batalhão de Artilharia da Costa, de Oeiras: José do Nascimento Fanha, Arnaldo dos Santos Polonio e Noé de Jesus Santos foram mortos em Africa.
De todos estes militares só o Fanha era casado, mas não existiam filhos.
Peniche, ao contrario da maior parte du País, ainda está em divida para honrar dignamente os seus compatriotas mortos naquele conflito dado que, por enquanto, as suas memórias se mantém perpetuadas apenas com um pequeno obelisco.
Há por todo o Pais, avenidas, praças e ruas com o topónimo Combatentes de Grande Guerra’.
Até pequenas freguesias, com menos possibilidades financeiras, colocaram no adro da sua igreja, lápides contendo os nomes dos seus combatentes mortos em combate.
Por descargo de consciência e em complemento da deliberação camarária de 28 de Abril de 1932,
foi só dado cumprimento à cedência gratuita de 30 covais no Cemitério
Municipal à Liga dos Combatentes da Grande Guerra em 21/7/1949.
Abrange uma área de oitenta e cinco metros e trinta centímetros, com as seguintes medidas: Norte/Sul, dezoito metros e quinze centímetros - Nascente/Poente, quatro
métros e oitenta centímetros.
Também no dia 10/4/1921, a Câmara Municipal fez-se representar pelo Vereador Torcato de
Jesus Leitão e pelo cidadão Marcos Mendes Mello, na trasladação da estação de Leiria para o mosteiro da Batalha dos leretros dos dois soldados desconhecidos.
Foram eles dois militares que morreram em combate em Africa e França pela defesa e prestigio da
Pátria.
Desde aquele dia, na Sala do Capitolo do glorioso Mosteiro da Batalha. arde a chama voliva dos
soldados portugueses falecidos naquela trágica confrontação.
Estiveram presentes nesta cerimonia o então Chefe de Estado Dr. António José de Almeida e outras altas individualidades.
Em 1924 a Comissão Executiva dos Padrões du Grande Guerra solicita deste Municipio qualquer importância para os PADRÕES da Grande Guerra. Tratava-sa de monumentos a erguer em França e nas nossas províncias de Angola e Moçambique representando o esforço da raça pela nossa intervenção militar na Grande Guerra. Parece que nem resposta obtiveram.
No dia de S. Martinho de 1918 (11 de Novembro) deu-se o grande dia do armistício. para os sobreviventes, familiares e amigos. Passados pouco mais de 2 anos foi criada a Liga dos Combatentes du Grande Guerra. Foi fundada em 1921, por iniciativa de João Jaime de Faria Afonso. E uma organização de carácter civil, embora constituída por elementos miltares.
Dos estatutos, publicados em 1924, constam os fins seguintes: Protecção e auxilio por pensões e socorros a todas as vitimas da Grande Guerra e suas familias’, ‘defesa dos interesses patrióticos e “Programa du pais no estrangeiro’.
Este último, sobretudo pelo intercâmbio com as associações existentes nos diferentes países.
Peniche, embora com poucos elementos, também aderiu a esta fundação. Teve o seu Núcleo, com
sede na Rua Garrett 34. Como não era possível o seu sustento so com aqueles militares, foi alargado por todo o pais o seu leque sou expedicionários de Portugal Insular e Ultramarino.
Ainda nos está na memória, alguns dos seus últimos Presidentes do Núcleo de Peniche, tais como: a partir dos anos 50, Tenente Alonso Neves, Jose Franco Lobo, e, ultimamente, José Alípio da Mata, (Quanto aos anteriores, não me foi possível adquirir elementos).
Após o falecimento do último membro, este núcleo foi incluído no das Caldas du Rainha. Tem a sua sede nos Pavilhões do Parque D. Carlos I, naquela cidade. Em boa hora se realizou a integração pelo proveito que trouxe. Refira-se aqui o trabalho daquela instituição que tem a seu cargo a conservação do talhão dos combatentes, com o embelezamento de um padrão alusiso.
Os representantes da Liga nesta zona não esquecem a sua deslocação aquele este lugar sagrado, todos os anos, no dia 1 de Novembro (dia de finados), acompanhados por convidados civis e
militares.
Naquela data uma cerimonia religiosa é acompanhada também por uma militar, com a participação de elementos do Regimento de Infantaria n°5, de Caldas da Rainha.

Nazaré e S.M do Porto 1927

Revista Ilustração Portuguesa Lisboa 16 Setembro 1927
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/index.htm

quinta-feira, outubro 08, 2009

CRISES, FOME E MENDICIDADE AO LONGO OS ANOS EM PENICHE

Por: Fernando Engenheiro
Diz-se que se vive uma crise quando, com carácter momentaneo, uma situação anormal se agrava, com graves e súbitas perturbações da vida económica .
Em todos os períodos da história houve crises; porém nos tempos que decorrem até ao século XVIII o tipo de crise prevalecente e a mais temida foi a crise de penúria. Esta era devida a factores naturais e extra-económicos (como as más colheitas e as guerras).
Actualmente deixou de ser um acidente para se tornar uma característica da evolução das sociedades capitalistas..
As crises atingiam todo o país mesmo quando afectavam de modo particular a produção agricola, em razão de más colheitas, sendo os camponeses os primeiros a sentilas.
Peniche, ao contrário de muitas terras do próprio litoral, vivia só e exclusivamente da pesca. Era esta e sua fonte económica principal e quase única. Não existindo pesca toda a actividade industrial paralisava, bem como o comércio aqui existente.
Debruçando-me só a partir dos inícios do século XX, evito assim referir-me a toda a miséria resultante de guerres, revoluções e à enorme quantidade de naufrágios. As crises sucediam as doenças e as grandes epidemias, acompanhadas de fome que alastrava por todo o País.
E a fome foi, em todos os tempos, coma hoje ainda é, a maior preocupação do ser humano. Um individuo sujeito a um regime de fome total ou mesmo especifica, não poderá trabalhar normalmente, um vez que o alimento que consome não chega para que organismo possa transformá-lo em força motriz necessária.
Por isto no mundo actual o problema da alimentação é o que maior atenção suscita.
Pouco depois da proclamação da República , em 25 de Maio de 1911. O Dr. António José de Almeida, Ministro do interior, publicou un notabilíssimo diploma de reorganização dos serviços de Assistência Pública. Por essa Lei foi criada a Direcção-Geral de Assistência. à qual ficaram subordinados todos os organismos oficiais da especialidade.
Em Peniche a candosa missão de prover as necessidades da pobreza local já vinha sendo desempenhada pela Santa Casa da Misericórdia, a principal instituição de beneficência da terra. A sua administração foi sempre de uma dedicação e de um escrúpulo inexcedível.
Além do tratamento de doentes no seu hospital, a Misericórdia tinha a seu cargo nunca menos de 10 velhos inválidos, albergados em anexos no logradouro do edifício. Subsidiava grande numero de viúvas pobres e prestava muitas outros socorros e serviços de assistência e beneficência.
Alguns anos depois, com a fundação do Instituto de Seguros Sociais Obrigatórios e de Previdência Geral, foi extinta a Direcção-Geral de Assistência: Em 1927 foi esta Direcção Geral restabelecida, mantendo-se em actividade até aos nossos tempos.
Veio aquela entidade, em seguida, a 24 de Dezembro do mesmo ano, agrupar e transformar a organização dos estabelecimentos existentes na Assistência Pública.
Tudo isto era pouco para as grandes necessidades que o povo tinha.
Como a Igreja Católica esteve sempre de braços abertos para os mais desprotegidos, agrupavam-se os cristãos, homens e mulheres, criando instituições de caridade, em que se destacaram as Conferências de S. José, S. Vicente de Paulo e Santa Isabel (femininas) e as masculinas de S. José e S. Vicente de Paulo, que jé existiam en Peniche desde 26/8/1922.
Também algumas casas particulares. sentindo o empenho em auxiliar os necessitados e a compaixão para com os mais infelizes, davam o seu contributo.
Talvez numa palavra só : O amor de Deus e do próximo, são os factores mais importantes nestas grandes cruzadas de bem fazer.
Sem isso, por maior que fosse a boa vontade das entidades oficiais, em resolver os problemas, nunca seria possível conseguir-se uma solução satisfatória.
Nos fins dos anos vinte, o poder local, não sabia o que fazer com tante mendicidade a estender a mão à caridade.
Queriam reprimir o uso e abuso que se estava fazendo de mendicidade, pois (é não eram só dos residentes em Peniche, mas de outros concelhos vizinhos, aos quais não era permitido mendigar nas suas zonas.
Foi necessário organizar um cadastro dos doentes, dos velhos e dos que eram verdadeiramente necessitados de auxilio. Seria posto de parte o beneficio daqueles que exploravam por vicio e por comodidade os sentimentos generosos da população.
Para isso foi-lhes fornecido, pela Comissão Municipal de Assistência en colaboração com a Autarquia, uma chapa redonda em latão para colocar junto ao peito, com o número de beneficiado e os dizeres MENDICIDADE DE PENICHE”.
Ao mesmo tempo, não estava de parte a ideia do então Presidente do Município, Sr. António Maria de Oliveira, que também acumulava as funções de Presidente da Comissão Municipal de Assistência , da extinção de mendicidade nas ruas.
Isso só era possível com a cooperação do comércio e de particulares ao fazerem a entrega dos seus donativos mensalmente à Comissão, para que a mesma se encarregasse da sua distribuição , todos os Sábados.
Depois de muitos anos de crises constantes estava-se ainda na de 1929. Havia nove meses que a crise se vinha fazendo sentir, motivada pela constante falta de peixe, e tornava-se cada vez mais difícil a vida de todos os organismos locais, desde o cidadão ao Municipio. Não havia casa comercial onde a crise não tivesse provocado um desequilíbrio de tal forma grave que muitos anos foram precisos para anular os seus efeitos.
En 6/1/1938 a Câmara Municipal vê-se na necessidade de tomar sérias providências no sentido de atenuar, tanto quanto possível, a fome que numa grande parte da população se fazia sentir. Tenta minorar un pouco a indigência extrema com a chamade “SOPA DOS POBRES”
Foi a sua distribuição efectuada no futuro edifício do mercado municipal, então ainda em construção. e também numas pequenas dependências do actual Jardim da Cascata (junto da Ponte Velha), a mais de dois terços de população.
A Autarquia, considerando que não era possível manter por muito mais tempo um tal estado de coisas, visto a população faminta ter esgotado todos os seus recursos e o comércio local não poder continuar à sustentar a mesma população, só tinha uma alternativa: pôr de parte a ideia da construção de um bairro para pobres, e transferir e importância destinada à obra para ‘subsidio para a sopa dos pobres”.
Também a construção do mercado sofreu e mesura opção .
Aquele periodo dos anos de 1938/1939, foi uma época fatidica pela grave crise da pesca, considerada como um autêntico caso de calamidade publica.
Foram grandes os seus reflexos na vida económica de Peniche: algumas traineiras tiveram de ser desarmadas. outras vendidas. Das duas dezenas de fábricas de conservas existantes na altura, apenas 5 se mantiveram em actividade.
A falta de recursos aumentou a mortalidade infantil (o alimento é de certo modo um elemento regulador dos nascimentos). e agravou a doença nos adultos com problemas pulmonares.
Para maior contratempo, a 15/2/1941, o país é assolado com o grande ciclone que muito se fez sentir em Peniche, tanto na terra como no mar
Afundaram-se dezenas de embarcações e centenas de edifícios ficaram com a cobertura a descoberto, registando-se outros prejuízos. Só no Pinhal Municipal do Vale Grande foram derrubados cerca de 35 mil pinheiros.
Em Maio de 1946 e Câmara Municipal assumiu a responsabilidade de alugar uma sede para a Comissão Municipal de Assistência (na Rua José Estêvão, tornejando para a Travessa Castilho - actual Largo). A Comissão até ali funcionava numa dependência da Santa Casa da Misericórdia
Foi feito o contrato de arrendamento, por 180$00 mensais, entre a sua proprietária, Albertina das Flores Rendeiro, e o Municipio. Acabou par ser acordado a instalação ali, também. das Juntas de Freguesia e Sub-Delegação de Saúde .
As Paróquias de Peniche, tendo à frente pela 1°vez o Reverendo Padre Bastos, lutou no Natal de 1947 pela angariação de fundos para que os pobres sentissem um pouco de conforto com alguns agasalhos e alimentos. Foi um nunca mais parar no fazer bem ao próximo até aos dias de hoje
Logo em 1950 o Funda do Socorro Social, par intermédio da Comissão Municipal de Assistência de Peniche, entregou-lhe um cheque no valor de 10.000$00, pare reverter e favor de ‘Campanha do Natal’.
Esta década viveu sob as intermitentes oscilações de pobreza e da riqueza, constante o mar dava ou não o seu peixe.
Também, par intermédio do Sr. João Mendes Madeira Sobrinho, Gerente da fábrica ‘Judice Fialho”, que pôs à disposição os antigos armazéns daquela firma situados junto ao Campo da República , foi proporcionada e confecção da Sopa dos Pobres’, bastante frequentada pela classe marítima.
Em Julho de 1957 começa-se a pensar a fundo no problema da mendicidade pelas ruas, que se pretendia abolir.
É constituída uma Comissão, presidida pelo Reverendo Padre Bastos, de que fizeram parte o Presidente do Municipio, Sr. António da Conceição Bento, e os Sr. Tenente Afonso Neves, .Acácio de Sousa Lacerda. José Bonifácio da Silva, Chefe do Posto da P.S.P. e ainda as Conferências de S. Vicente de Paulo. Não foi tarefa fácil, atendendo às circunstâncias especiais desta terra. Só foi possível obter os resultados pretendidos graças à colaboração conjugada das entidades oficiais, comércio e algumas familias mais abastadas, pois noma sociedade cristã todos temos o dever grave de despender todos os esforços no sentido de minorar as situações de miséria que existem pelo nosso reino.
Mais uma vez, a igreja está atenta no auxilio aos mais necessitados no terrível flagelo de fome. Em 3/9/1958 é inaugurada, no Centro Social de Educação e Assistência. uma cantina para os pobres, com o fim de minorar a pobreza e acabar corn a mendicidade.
Ficou assim banido o mau aspecto que davam os grandes ajuntamentos de pobres nas traseiras do antigo Hospital, que se faziam acompanhar de tigelas, à espera que os doentes tomassem as suas refeições e só depois, ao toque de uma sineta, fosse distribuído o que já não lhes fazia falta.
Também a Casa dos Pescadores. naquele ano e outros que se seguiram, firmou um contrato com aquela Cantina, para fornecer aos seus associados e familias, menos favorecidas pela sorte, 300 sopas e 150 pães.
A partir da década de 60, Peniche teve um incremento grande com a imigração de pescadores naturais da Nazaré. Trouxeram com eles a arte de pescar com “aparelho”. Foi uma colonia que amortizou bastante as dificuldades até ali existentes.
Mas do que não temos dúvidas é de que a melhor situação em, que o povo desta terra presentemente se encontra foi resultado da mudança de politica no nosso País.
Apontamentos diversos
A partir de 1949 houve uma especial atenção às crianças escolares mais desfavorecidas pela sorte. Procedeu-se à construção de uma cantina num espaço do logradouro de recreio da Escola Primária n°1.
Podiam assim viver mais alegres com as refeições fornecidas todos os dias Úteis e só assim lhes seria possível desenvolver com mais facilidade as suas capacidades intelectuais.
Ainda hoje está na memória de muita gente a chamada “Casa das Senhas”. Tratava-se de uma dependência. no edifício dos Paços do Concelho na rua 13 da infantaria, 1 Andar, onde funcionava a Comissão Reguladora”. Esta tinha coma finalidade a organização do “racionamento”, provocado pela guerra Civil de Espanhola e pela II Guerra Mundial, de todas as compras de produtos essenciais, que então rareavam, feitas em estabelecimentos comerciais. Aqueles só eram fornecidos, de acordo com, o estabelecido por organismo, tendo em atenção o número de familiares que constituíam cada lar.
- Também chegou aos nossos tempos a vergonha nacional do “PÉ DESCALÇO”. O Governo Civil de Lisboa, a 6/9/1928, publicou editais proibindo o pé descalço, com a execução a partir de 1 de Outubro daquele ano. O do Porto aderiu no mesmo ano, o de Coimbra a 1/5/1934 e o de Aveiro a
1/8/1956.
Eram estas as únicas cidades, até à década de 1950, em que era proibido andar pelas ruas com os pés descalços.
Foi uma luta grande que teve a Liga Portuguesa de Profilaxia Social para conseguir reais vantagens na campanha a que ela tão humana e patrioticamente se propôs.

quinta-feira, outubro 01, 2009

O TURISMO E OS MEIOS DE TRANSPORTE PARA A ILHA DA BERLENGA AO LONGO DOS ANOS (II Parte)

Por: Fernando Engenheiro
Passados 8 anos havia necessidade de construir um novo meio de transporte, pois que o existente já não satisfazia as exigências do movimente turistico.
Para isso criam uma nova sociedade, designada por Viamar - Sociedade de Viagens de Peniche/Berlenga. Lda. ., para substituição da anterior, com alteração parcial do elenco inicial.
A 28 de Novembro de 1958, foi lavrada a escritura da nova sociedade comercial por quotas de responsabilidade limitada, no Cartório Notarial de Peniche, de fls. 28v. s 31v. do livro de notas n° 340, constituída entre António de Conceição Bento, José Fernandes Bento, Anibal dos Santos, João
Maria da Conceição, Domingos Paulino. Mário Miguel de Sousa, Manuel António Malheiros e Francisco Fernandes Malheiros.
Tinha a sua sede no Largo 5 de Outubro n. 3, continuando como gerente. desde 1950, João Maria da Conceição.
Foi solicitada ao Ministro da Marinha autorização para ampliar o pequeno cais acostável existente no Carreiro do Mosteiro, por este não permitir a atracação do novo barco, denominado pela primeira vez “Cabo Avelar Pessoa”, de muito maiores dimensões que o anterior. O pedido foi deferido em 8/11/1958. conforme oficio n 5087 — Proc. 8-160 F. 80 - da Direcção-Geral da Marinha. Contribuíram para aquele melhoramento a Câmara Municipal de Peniche, a Direcção-Geral dos Faróis , a Capitania do Porto de Peniche e a Casa dos Pescadores, além dos particulares que tinham ali as suas casas de férias.
Nos principio de 1960 estava a flutuar a nova embarcação. que teve poucos anos de exercício de actividade.
Possivelmente por falta de assistência durante os meses em que esteve parada no Cais, acabou por apodrecer o cavername e, por, na sequência de vistoria a que foi sujeito. ser indeferido o pedido renovação de licença para exercer as suas funções, foi retirada do activo.
Para remediar a situação foi comprada, na Figueira da Foz a traineira ‘Portugal Segundo” à qual foram feitas as adaptações necessárias , aproveitando-se toda a estrutura superior da anterior embarcação.
Também por essa época foi utilizado para o transporte de passageiros para a Berlenga um barco anteriormente utilizado na recuperação de metais de embarcações afundadas (o barco do ferro) denominado Alcantarense.
Na ilha, o cais acostável do Carreiro do Mosteiro foi objecto de nova ampliação em 1979. A obra foi realiza da pelo Municipio, com a colaboração da Direcção-Geral dos Portos. A obra foi executada por tarefa a cargo do pedreiro Hirondino Ângelo Henriques.
A partir de 1981 já o motor da embarcação dava sinais de que havia necessidade de se procéder à sua substituição .
Em 1982, aquando de Feira do Mar’ realizada em Peniche, foram adquiridos, para a mesma embarcação , 2 motores novos Penta-Volvo coma força conjunta de 516 HP, par 4.350.000$00. Depressa se verificou que não correspondiam às necessidades sentidas.
Pouco tempo depois é pedida à Direcção-Geral da Marinha e Comércio autorização para construção de um novo barco para transporte de passageiros para a Berlenga. Esta petição foi indeferida. A Direcção da Reserva Natural da Berlenga (entretanto criada) manteve o sou pa racer pouco favorável. Perante insistência é solicitado à Autarquia o sou empenho na ultrapassagem da situação criada. tudo se resolve e a empresa informa que entra em funcionamento um novo barco para a época de 1991, em construção na cooperativa de Peniche União da Camboa.
Foi esta a ultima aquisição de embarcação para transporte de passageiros entre o continente e a ilha de Berlenga, serviço que se mantém pela boa vontade dos descendentes dos criadores das empresas atrás referidas.
O Cais do Mosteiro de Berlenga foi, entretanto, objecto de novo prolongamento.
APONTAMENTOS DIVERSOS:
Por deliberação camarária do 6/9/1945, encontrando-se encalhado no Forte des Cabanas, o barco de passageiros Boa Esperança foi posto à venda, com o respectivo motor em separado, visto que um e outro foram dados por incapazes. Por não terem aparecido interessados na compra. o barco foi cobiçado pela Comissão de Festas de Nossa Senhora da Boa Viagem para servir de bar no recinto de festa. Em 1946 ali esteve, designado por Bar Nau Catrineta
Puxado por-juntas de bois até chegar ao destino fez o itinerário: Largo ria Ribeira, Rua do Cais (actuel Avenida do Mar), Largo do Municipio, Rua 13 da Infantaria, Largo 5 de Outubro, Largo D. Pedro V, Rua José Estêvão , (onde permaneceu uma noite em frente da antiga sede da Associação Recreativa e seguiu direito ao Campo da República, onde ficou colocado (em frente do actual ‘Restaurante Patriarca”).
A Comissão Municipal de Turismo, para apoiar os turistas na Visita às grutas da ilha da Berlenga, até ao ano de 1968 tinha cinco lanchas que cedia e titulo de aluguer, por anos sucessivos, a particulares (antigos pescadores) que exploravam essas visitas. Estavam matriculadas no Porto de Peniche com os nomes de “Carreiro do Mosteiro”, “Milréu”, “Lagosteira”, Cova do Sonho” e ‘O de Velha”.
A 25/8/1978, provocado pelo nevoeiro, dà-se um abalroamento, a cerca de milha e meia do Cabo Carvoeiro, entre o barco de transporte de passageiros da empresa, o ‘Cabo Avelar Pessoa”, e a traineira de pesca do porto de Peniche ‘Reliquia”, acidente que originou de imediato 4 mortos e 18 feridos.
Em 1980 e em alguns anos que se seguiram, na época habituai, os embarques e desembarques dos passageiros para a Berlenga efectuaram-se na nova zona portuaria de Peniche.
Até Maio de 1966 esteve à frente dos destinos da empresa, ininterruptamente, como gerente, o Sr. João Maria da Conceição.
Assumiu o lugar, apôs o seu falecimento, o Sr. Mário Miguel de Sousa que, por motivos de saúde, em 1997 deixou aquelas funções.
Presentemente a gerência da sociedade está a cargo dum herdeiro de outro antigo socio da empresa.

O TURISMO E OS MEIOS DE TRANSPORTE PARA A ILHA DA BERLENGA AO LONGO DOS ANOS

Por: Fernando Engenheiro
A luta económica que, após a guerra de 1914/18, veio desafiando vitoriosamente toda a ciência dos economistas criou aos povos dificuldades que urgia remover.
No desenvolvimento das suas riquezas naturais, viram os governantes de todos os paises a solução do problema.
E, assim, as belezas da paisagem, os monumentos e as obras de arte, de improdutivas que eram, transformaram-se em excelentes fontes de receita atinentes a amenizar os “déficits” orçamentais.
Esta industrialização das belezas naturais, dum pais ou duma região, tomou o nome de turismo, e é, hoje, um valor apreciável peso na balança económica do Estado.
Todos as países têm procurado activamente atrair sobre si as visitas dos estrangeiros. Está na receita assim angariada uma larga contribuição para o sou equilibrio financeiro. Há nações privilegiadas que conseguem, pela excelência do seu clima, obter assim uma larga soma de rendimentos que lhes permitem um notável desafogo que sem essa receita não lograriam obter.
O nosso país, cujas condições naturais são magnificas. tem procurado, de há longos anos a esta parte, chamar a atenção dos estrangeiros. De entre estes, destacam-se as magnificas praias que abundam no nosso extenso litoral, no qual Peniche ocupa lugar de especial relevo, com a preciosidade que é a ilha da Berlenga.
Para acompanhar e incrementar o desenvolvimento turístico do nossa zona foi oficialmente criada uma comissão que actuou alguns anos, denominada Comissão de Iniciativa de Turismo” ou Comissão de Iniciativa de Peniche”, dissolvida polo Decreto n° 27.424. de 31/12/1936 - art° 6°. Foi esta Comissão considerada extinta por acta de encerramento datada de 10/1/1937.
Durante o exercício da sua actividade procurou esta Comissão oferecer às praias da região maior dignidade, dotando-as com um minimo de condições, construir acessos aos pesqueiros. etc. De salientar a construção de um miradouro e bancos em cimento armado por cima dumas rochas existentes na antiga praia de banhos (edificação conhecido por EDEN”). Era este recinto arrendado pela Comissão , de 15 de Julho a 15 de Outubro, para exploração de um “bufete”, para apoio dos banhistas.
Muito preocupava a Comissão o desenvolvimento turístico na ilha da Berlenga. Começou por pedir ao Ministério da Guerra, a título de arrendamento, a Fortaleza da ilha, afim de ali poderem, nos meses do verão, proporcionar uma recepção condigna às excursões que ali se dirigiam. em grande parte organizadas pela referida Entidade.
Foi aceite a proposta de José Acùrcio Nunes Rego de Carvalho, feita em 4/7/1932, para aluguer de uma traineira por 300$00 mensais, para excursões a funcionar aos Domingos e Segundas-Feiras. Foi, por unanimidade, estipulado o preço por pessoa, de ida e volta, de 15$00.
Em 1937, sem alterações de tarifas, e cargo de Quintino Ferreira de Castro, em colaboração com a Comissão de Iniciativa, estava disponível para excursões um barco próprio a gasolina, todos os Domingos e dias úteis (sempre que o mar o permitia),
Por deliberação camarária, de 18/5/1939, foi autorizado o Presidente Câmara, Sr, Luís Pedroso de Silva Campos a assinar e escritura de compra que a Autarquia fez de uma traineira com motor a Rita da Conceição Madeira João Calongo e Arnaldo Calongo, pela quantia de 3000$00 (ordem de pago. n°1650/38.
Designada par ‘Boa Esperança (vulgarmente conhecida por Regalista”). esta embarcação sofreu diversas modificações de adaptação para o fim em vista, e cargo de Manuel António Malheiros, pela importância de 1.500$00. Para desempenhar as funções de mestre da embarcação foi designado João Ribeiro (João da Tropa). antigo mestre de pesca, que exercia as funções de encarregado do amanhadouro de peixe.
Para motorista foi recrutado Francisco da Silveira Pires, recebendo por cada dia de viagem 25$00, bem como para moço” José Cirilo, com a remuneração mensal de 150$00. Pouco tempo depois este último foi dispensado, entrando para o mesmo lugar Silvano (ou Silvino) Marques com igual remuneração.
Em 1940 o turismo para a ilha estava já com grande desenvolvimento. Realizavam-se excursões todos os Domingos e Quintas-feiras. na época balnear, a partir de Lisboa, com prévia marcação de lugares na Rua Martim Moniz. em serviço combinado com a firma Capristano & Ferreira. Ltd, com o preço de ida e volta, 45$00.
Também a Comissão Municipal de Turismo tinha à disposição no Forte de São João Baptista 8 quartos, com camas-divans, ao preço de 5$00 por pessoa. Bem como pessoal para confecção da comida, a cargo da cozinheira Beatriz Lopes Leal, (conhecida por tia Beatriz”).
No plano anual da actividade turistica para o ano de 1944, a Câmara Municipal expôs ao Ministro que superintendia no Turismo a degradação em que se encontrava o barco de passageiros. sendo péssimas as condições de conservação e comodidades. No mesmo documento chamava-se a atenção para os factos de não poder transportar mais de 15 pessoas e de o percurso das 9 milhas demorar mais de 1 hora e um quarto.
Pensou-se então na construção de um barco capaz para transportar 100 passageiros, tomando em consideração que a mão de obra poderia ser paga pelo Fundo de Desemprego, bem como todo o madeiramento necessário para a construção.
Correspondendo a todas estas boas ideias os responsáveis do Terreiro do Paço não foram além das boas vontades e nada se concretizou.
A traineira, adaptada a transporte de passageiros. teve o fim da sua actividade nos finais do Verão de 1945, por incapacidade.
Voltou-se à anterior modalidade de alugar traineiras particulares, sendo que a familia Franquinho” teve aqui um papel importante com e cedência do sou barco de pesca ‘Maria de Ascensão ”. Num ou outro caso as viagens eram asseguradas pela barco que efectuava os transportes para os faróis.
Em 1949 um grupo de amigos decidiu constituir uma comissão particular para a concretização de ideias visando o desenvolvimento turistico de Peniche e seu Concelho. Em reunião efectuada no Clube Recreativo Penichense, constituída por Luís Correia Peixoto. Acácio de Sousa Lacerda, Francisco de Jesus Salvador, João Maria Viçoso Freire e António Pereira Coutinho, assistindo como Presidente da Comissão Municipal de Turismo e Vereador do Pelouro do Turismo João Maria da Conceição , foi lançada a ideia da construção de um novo barco de transportes para a ilha.
Para a concretização daquela obra havia que pedir autorização ao Ministério da Marinha. Por intermédio de um movimento desenvolvido a partir de 23/4/1949 - Pro-turismo de Peniche” os habitantes desta Cidade foram convidados a inscreverem-se como sócios da empresa em organização. Caso aderissem, entravam na sociedade com qualquer valor de 1.000$00 para cima, a afim de ser mandado construir um barco de passageiros com todas as condições de segurança. Talvez por falta de esclarecimento ou motivação. não se obteve o capital necessário.
Por falta de verba, a Comissão Municipal de Turismo não tinha possibilidades de empreender a desejada construção, conforme é referido em sua reunião de 7/5/1950.
Foi procurada uma nova solução, formando-se um pequeno grupo constituído par alguns membros da Câmara , tais coma António da Conceição Bento, Ricardo Costa, Anibal dos Santos e João Maria da Conceição, e pelos particulares José de Conceição Fernandes Bento. Mário Miguel de Sousa, Manuel António Malheiros e Francisco Fernandes Malheiros.
Começaram por comprar uma traineira à empresa “ Algarve Exportador”, registada na Capitania do Porto de Peniche com o nome de “Flora”, à qual, depois de ter sofrido diversas alterações para a sua adaptação, foi dado o nome de “NOVO RUMO”. A empresa constituída para o efeito foi registada com o nome de Transportes Berlenga”.
A Comissão Municipal de Turismo assegurava os alojamentos e alimentação no Forte com a diária de 55$00 (pequeno almoço, almoço e jantar), custando o mesmo serviço sem quarto 40$00.
Começou a funcionar aquela sociedade em Julho de 1950, com carreiras às Terças-tairas, Quintas, Sábados e Domingos, com partida de Peniche às 10 horas e regresso às 18. O novo barco, de linhas bem lançadas e elegantes. com motor de 150 cavalos, toi considerado na época um sucesso, batendo um record” ao galgar galhardamente as nove milhas que separam Peniche da ilha da Berlenga em apenas em 45 minutos. O preço de viagem de ida e volta era de 10$00.
Após a inauguração da Pousada Turistica instalada no Forte de São João Baptista, realizada a 29 de Maio de 1954, depois de obras de recuperação e adaptação levadas a efeito pela Ministério das Obras Públicas , Secretariado Nacional da Informação e Monumentos Nacionais, houve necessidade de instalar ali um posto rádio-telefonico com antena com a potência de 10 Watts. Aproveitou a empresa para instalar naquela. embarcação um aparelho comunicador/receptor, para estar no percurso em contacto com aquele estabelecimento hoteleiro, em colaboração com os meios terrestres que oferecia o posto rádio-telefonico permanente “Peniche Pesca”.

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DO FAROL DO CABO CARVOEIRO, EM PENICHE

Por: Fernando Engenheiro
O naufrágio do galeão espanhol S. Pedro de Alcantara, ocorrido às 11 horas da noite de 2 de Fevereiro de 1786, foi a causa imediata da construção de um farol no Cabo Carvoeiro.
Frequentes naufrágios sucedidos nesta zona que “reclamavam há muito a falta ali de sinalização para o tráfego marítimo ”
No mesmo ano em que teve lugar aquele acidente, foi mandado ali construir um farol provisório, de madeira, que substitui até ao ano de 1794, em que se edificou o actual que, ao longo dos tempos, sofreu algumas alterações na sua arquitectura inicial.’
Foi autora da obra a Real Junta do Comércio, Agricultura e Navegação deste Reino e seus domínios, entidade que, na época, superintendia nos assuntos’ desta natureza.
Aquelo imóvel ao serviço da navegação teve como seu primeiro Administrador o Capitão Inácio José Barreto, residente em Peniche, que acompanhou o construção:
A obra foi iniciada a cargo de Januàrio Ferreira, mestre canteiro, que não a terminou. em virtude do seu falecimento se ter dado a 5/4/1790, tendo sido sepultado na Igreja de S. Sebastião, sua freguesia.
Foi entregue o acabamento a José Pedro, carpinteiro, do lugar de Geraldes, termo da Vila de Atouguia da Baleia, e o Lourença Gonçalves, mestre de pedreiro, de Leiria, par escritura celebrada a 8/8/1792. (livro de tabeliães de Peniche, n°47 - 1791/1794).
- Tem esta torre 24,57 metros de altura, acima do nível do mar, e 101 degraus, pelos quais se chega ao sistema ou aparelho de iluminação.
Num documento de troca de correspondência entre o inspector do Farol (Capitão José Rodrigues Ferreira) e a Real Junta do Comércio, datado de 30/511 diz-se o seguinte: Este farol é situado Sobre o Cabo Carvoeiro – tem de altura até às primeiras luzes 110 palmos - a sua luz é fixa,’ e dura desde o pôr do’ sol ‘até ‘ao nascer do dia seguinte avista-se, estando o tempo claro e sem névoa, até sete léguas de distância
- sua posição é Norte/Sul, na latitude de 39 graus e 27 minutos, e na longitude de 8 graus e 57 minutos, contados pelo Meridiano da ilha do Ferro - O farol que fica mais perto deste é o do Cabo da Roca, doze léguas’.
Foi de luz fixa até 1843, sendo por esse tempo mudado para luz de rotação .
Adoptou-se então o sistema catóptrico; de facto há noticias de que em 1865 a luz era branca e fixa, produzida por dezasseis candeeiros de Argao com reflectores parabólicos , atribuindo-se-lhe à data o alcance de 9 milhas.
Em 1842 houve algumas obras, incluindo o entaipamento dos vãos de algumas janelas, como se diz num documento de 6/10/1842:
Não sei se o chumbo que se tira da pedraria do farol pertence ao empreiteiro, ou não, conforme o seu ajuste ou arrematação, já perguntei ao mestre e disse-me que também o não sabia, porém eu sempre o vou mandar recolher para estar em resguardo -
Gaudêncio Fontana, Director dos Faróis do Reino”
Também o partir de 1 de Fevereiro de 1886 o farol foi totalmente remodelado no que respeita à, edificação e passou, também, a estar munida de um novo aparelho, de 3° ordem, cuja e fonte luminosa era constituída por um candeeiro de petróleo de très torcidas, garantindo-lho’ um alcance luminoso teórico de 17milhas.
Em 1923 este aparelho lenticular de 3°ordem, foi substituído par outro de 4°ordem, mas girante, produzindo, grupos de ‘4 relâmpagos, o qual era movimentado por uma máquina de relojoaria; a fonte luminosa - era um bico constante, que alegadamente lhe proporcionava 12 milhas de alcance luminoso.
No ano de 1947 o farol passaria a utilizar gás acetileno, em lugar de petróleo, como fonte luminosa principal.
Cinco anos decorridos, em 1952, seriam finalmente introduzidos no farol os benefícios da ‘electricidade e a fonte luminosa passaria a ser uma lâmpada eléctrica de 250w/220v, conferindo-lhe um alcance de 19 milhas. Quanto ao sinal-sonoro de nevoeiro, o primitivo - uma trombeta de ar comprimido sistema Holmes
encontrava-se abrigado numa guarita de ferro. O motor era uma máquina de vapor de 4 cavalos nominais, a sua instalação é de 1886, sendo modificado sucessivamente em 1921, 1939, 1964 e 1980 data esta em que passou a ser constituído par uma sereia eléctrica.
Em 1949, foi instalado um rádio-farol, Marconi, que sofreu alterações em 1953; actualmente desactivado.
No dia 8/11/1988 ficou o farol a funcionar com o nova sistema automático, um aparelho FRB - 46 de’12 lâmpadas de halogéneo montadas em ópticas seladas providas de reflectores parabólicos .
Este aparelho tem uma célula fotoeléctrica e um sistema de comutação de Lâmpadas em caso de avaria.
Na mesma data, foi aplicado um novo sistema automático para sinal-sonoro.
Foi também montada uma nova central eléctrica, com sistema automático, que em caso de falta de corrente eléctrica do exterior, arranca no prazo de 2 minutos o grupo electrogénio, que irá fornecer corrente só para o sistema automático.
Volta tudo ao normal, quando a corrente chega do exterior; mas o farol mantém-se aceso por meio de baterias em qualquer transacção de corrente.
Tem este Farol 15 segundos de rotação e é de 3 relâmpagos vermelhos.
‘APONTAMENTOS DIVERSOS:
(Elementos extraídos, em parte, do livro de registo de correspondência recebida e expedida de 1828/1842, que fez parte dos arquivos do Farol).
A Administração do Farol esteve a cargo da Real Junta do Comércio, Indústria e Navegação , bem como todos os outros do Reino, até Julho de 1834 (data da sua extinção). Logo a seguir passou a desempenhar as mesmas funções a Administração Geral des Alfândegas do Sul do Reino.
Para armazenar o azeite, que vinha em principio de Lisboa transportado pelo barco “canhoneira” ao serviço da Praça de Peniche existiam 4 pias em pedra, que levavam, em conjunto, 128 almudes. Por muitos anos foi fornecido pelos almocreves, que vinham fazer a sua entrega ao domicílio.
O quadro do pessoal, por mais de um século, era constituído por um faroleiro e um inspector, que tinham a remuneração anual de 120$000 reis para cada um, a qual era recebida por quartéis, e quase sempre bastante atrasada.
Já no principio deste século, era concedido à mulher do faroleiro o lugar de faroleira. Ocuparam tais cargos, com diploma de funções publicas, Maria da Conceição Lourenço/José Lourenço (pais do nosso assinante Sr. Gloriabor Lourenço) e Maria do Despacho Carvalho/Anacleto Barradas (de que é neto, o nosso assinante Sr, Jaques Carvalho Nunes, residente em Inglaterra).
Hoje é guarnecido par 7 homens, que dão assistência a esta área - incluindo: Farol do Berlenga, Farilhão, Farolins da entrada da barra, Farolins de Peniche de Cima, Porto das Barcas e Porto Dinheiro. A 18 de Julho de 1834. apareceram algumas embarcações de guerra da esquadra, insurgentes nestes mares, duas das quais se aproximaram bastante da costa. Ao ter conhecimento deste facto o Governador interino desta Praça, deu Ordens para que o farol estivesse sem - funcionar até novas ordens, que foram dadas, retornando tudo ao normal, a 3 de Agosto (15 dias depois).
Nos primeiros dias’ do mês de Julho de 1842, houve uma queixa de dois vapores que navegavam do Porto para Lisboa, directamente ao Conselheiro do Reino, atentando que não acendiam o farol há já dois dias. Feitas averiguações, chegou-se à conclusão que o criado do então faroleiro vendia o azeite a particulares, para seu proveito próprio.
Houve épocas de grande dificuldade na aquisição do azeite vendido pelos almocreves, o que aconteceu em 1830 pela grande afluência de tropa e particulares que aqui estiveram degredados.

sexta-feira, setembro 25, 2009

A FUNDAÇÃO DA PRIMEIRA UNIVERSIDADE EM PORTUGAL TEVE A COLABORAÇÃO DO REITOR DE S. LEONARDO / ATOUGUIA

Por F.Engenheiro
Em Portugal a criação dos Estudos Gerais, ou Universidade, deve-se a el-rel D. Dinis que, em 12 de Novembro de 1288, reuniu em Montemor-o-Novo vários prelados os quais, atentos ao estado das relações entre o monarca e a Santa Sé, solicitaram por si o indulto apostólico para se fundar a Universidade.
Este pedido visa evitar que muitos jovens portugueses tenham de sair do seu pars para frequentar estudos superiores nas Universidades da Itália, França e Espanha. Somente em 9 de Agosto de 1290 chegou a bula da confirmação, depois de normalizadas as relações entre Portugal e a Santa sé.
O rei D. Dinis tornou pública a sua intenção de estabelecer em Lisboa um Estudo Geral. Diz o diploma régio:
“Desejando Nós enriquecer nossos Reinos com este precioso tesouro, houvemos por bem ordenar, na Real Cidade de Lisboa, para honra de Deus e da Santissima Virgem Sua Mãe e também do Mártir S. Vicente, cujo santissimo corpo se venera na dita cidade, um Estudo Geral que não só dotamos com numerosos doutores em todas as artes mas também favorecemos com muitos privilégios. Mas, porque algumas pessoas nos dizem que muitos virão de várias partes ao nosso dito Estudo, se gozarem de segurança de corpos e bens. Nós querendo desenvolvê-lo em boas condições, prometemos, com a presente carta, plena segurança a todos os que nele estudam ou queiram de futuro estudar e n permitiremos que lhes seja feita ofensa por algum ou alguns de maior dignidade que sejam, antes, com a permiss de Deus, curaremos de os defender de injúrias e violências. Além disso, quantos a ele vierem nos acharão em suas necessidades de tal modo generosos, que podem e devem fundamentalmente confiar nos múltiplos favores da Alteza Real”
O sítio escolhido foi, em Lisboa, a pedreira no bairro de Alfama, junto à porta da Cruz, ou da Moeda Velha. Ali se ensinavam Leis, Cânones, Gramática, Lógica e Medicina (música só mais tarde a partir de 1309).
Em 1308 transferiu-se a Universidade para a cidade de Coimbra por bula do papa Clemente V. Transferida por D. Afonso IV para Lisboa, em 1338, foi a Universidade mudada no mesmo reinado para Coimbra em 6 de Dezembro de 1354.
D. Fernando, em 3 de Junho de 1377, mudou-a para Lisboa, também para o sítio de Alfama, prometendo que ela havia de estar perpetuamente em Lisboa, sem que em nenhum tempo se mudasse para Coimbra, nem para outra parte do Reino. Em 1385, depois de aclamado rei corroborou tudo quanto prometera.
Depois de longos anos de paragens incertas, foi D. João III que, em 1537, chamando sábios estrangeiros, mudou definitivamente a Universidade para Coimbra, onde se tem conservado.
Retomando a sua fundação na Capital do Reino, D. Dinis tinha o plano feito da sua Universidade, e já interessara a Igreja do Reino por essa fundação, cujo proveito e cuja glória deviam reverter principalmente em favor dela, porque em primeiro lugar a Universidade, aqui como em toda a parte, ficava sujeita a jurisdição eclesiástica; depois nessa época quem dizia estudioso, dizia clérigo, e a Universidade vinha a ser um viveiro de homens da igreja eruditos. Por isso não foi difícil a D. Dinis, convencer muitos abades e mosteiros e priores de igrejas a que concorressem com uma parte das suas rendas à sustentação da Universidade, e foram eles mesmo que dirigiram uma súplica ao Papa rogando-lhe que lhes permitisse alienar uma porção das rendas eclesiásticas para pagamento dos mestre da nova Universidade.
Foi aqui, neste conjunto de elementos a darem o seu contributo para o sustento da Universidade, que o reitor da Igreja de S. Leonardo de Atouguia tomou a responsabilidade perante o Rei de fazer tudo o que fosse possível e estivesse ao seu alcance a favor da manutenção da Universidade.
Logo que a Universidade foi transferida pela primeira vez para Coimbra, em 1308, foram anulados os subsídios dados pelos abades e reitores que se tinham proposto para isso; mas nesse ano o papa Clemente V concedeu a D. Dinis que anexasse à Universidade seis igrejas do padroado real, para que das suas rendas se provesse às despesas daquela instituição.
A Câmara Municipal de Atouguia, e mais tarde a de Peniche, ao abrigo da Lei, até possivelmente à criação do primeiro Ministério da Instrução Pública em 1870, deram o seu contributo, subsidiando aquela entidade. Passo a citar, em resumo, algumas notas das suas contribuições: ‘Ano de 1606 - 18 de Fevereiro - Para pagamento das despesas com trinta estudantes de medicina e cirurgia, mandados para Coimbra, por D. Sebastião e por Provisão desta data, coube à Vila de Atouguia, da Comarca de Leiria, contribuir com 20 mil réis”- (Vol. V - 1605/1615, Doc. 5).
“Vereação de 1/7/1637 - Os médicos de Coimbra seriam pagos por 20 mil réis, cabendo 10 mil réis à Câmara de Atouguia e outros 10 mil réis à de Peniche”
“L.° de Vereações de 1765/177 fls. 3 - médicos de Coimbra – comparticipação da Câmara Municipal de Peniche
- Neste juízo entregou-se ao Reverendo Senhor Beneficiado Manuel Afonso trinta e oito mil réis para os médicos da Universidade de Coimbra cuja quantia é da Vila de Peniche de dois anos que são de 1773 e 1774 e recebeu Domingos Duarte, procurador da Vila.’
Outros pagamentos se seguiram no século dezanove.
Peniche, Agosto de 2009.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Pessoas que mudaram o Mundo

Discussing the Divine Comedy with Dante
Discussing the Divine Comedy with Dante

Clique sobre a imagem acima para a ampliar e identificar os indivíduos, quando passa o rato sobre as imagens. Clicando nas mesmas terá acesso à sua biografia na Wikipédia.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Porque é que GD Peniche não subiu a 1° divisão em 1967!

Nas suas memórias, Armando Rocha, engenheiro, gestor e dirigente desportivo de diversas modalidades, conta um episódio elucidativo:
em 1967, o almirante Tenreiro ter-lhe- enviado um telegrama a interceder pela resolução de um protesto do Clube Desportivo de Peniche que, a ser ganho, resultaria na subida de divisão do clube de futebol local.

No pedido, Tenreiro advertia que, caso o Peniche não fosse promovido os pescadores locais entrariam em greve. De forma ainda mais prosaica, respondeu-lhe o director-geral dos Desportos e inspector nacional do Desporto Universitário, um salazarista insuspeito, que «nada podia dizer quanto à greve. Agora quanto à almejada subida de divisão, ela não se verificaria e nem o Peniche subiu de escalão, nem os pescadores fizeram greve.

Texto extraído do livro: Henrique Tenreiro uma biografia politica de, António Garrido

Isto significa que existia naquela época uma vontade politica de impedir o clube de ter accesso ao escalão maximo, que podia eventualmente ( mesmo sendo pouco provavel )participar numa competição europea, com todo o impacto mediatico que traz o futebol, não seria bom para o regime da época o nome de Peniche ser muito falado tanto a nível nacional quanto muito menos internacional, e foi assim que uma geração de jogadores foi sacrificada no altar dos interesses politicos dos dirigentes nacionais.
Muitas pessoas têm saudades daquele tempo, sobretudo aqueles que não o viveram..........imaginem o impacto para Peniche se tivéssemos um clube no escalão maximo, era outra cantiga mesmo em termos económicos.............

quinta-feira, agosto 06, 2009

Navio Bacalhoeiro Creoula







Navio bacalhoeiro, Creoula, feito em Renda de Peniche, 1º Prémio de renda erudita no Concurso de Rendas de Bilros de Peniche, Julho de 2009, com desenho de Ida Guilherme e renda de M. Graciete Guilherme.



sábado, junho 20, 2009

Igreja matriz de São Leonardo, Atouguia da Baleia, Peniche

Fachada lateral sul e cabeceira.Fotógrafo: Mário Novais, 1899-1967.
Data aproximada da produção da fotografia original: 1954.

Galeria de Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

quarta-feira, junho 10, 2009

segunda-feira, junho 01, 2009

ADMINISTRADORES QUE SERVIRAM PENICHE E SEU CONCELHO

ADMINISTRADORES QUE SERVIRAM PENICHE E SEU CONCELHO A PARTIR DO DECRETO DE 18/711835, QUE MANDAVA FAZER ELEIÇÕES INDIRECTAS PARA A ESCOLHA DOS MESMOS:

Por: Fernado Engenheiro
Verissimo de Almeida Coelho, com in em 1836.
Aquando da aclamação da Carta Constitucional, a 12/2/1842, estava em actividade Vicente de Paula Henriques Ferreira Souto (L. de Despesas da C. M. de Peniche com início em 1843).
D. Francisco de Salles da Piedade Lencastre (estava em plena actividade em 1854)
Francisco Manuel Veloso da Horta (em 1863 encontrava se no exercício das funções).
José Olimpio Ferreira Pinto - (estava em plena actividade a partir de 14/6/1864)
(As datas que se encontram adiante dos seguintes corres pondem às respectivas nomeações)
Miguel José Simões - 9/4/1869
António Rodrigues Pereira - 15/1/1873
Dr. Bento Joaquim de Mesquita Pimentel de Carvalho - 21/1/1877
José Viana Abranches - 14/12/1878
António Ferreira Machado (Administrador Substituto) - 1883
Francisco de Paula d Borges - 12/1/1889
António Ferreira Machado - 1890
José da Costa Bello (Administrador Interino) -29/1/1890
Luis António Ferreira das Neyes (Administrador Interino) - 25/3/1 890
Antônio Maria da Costa - 4/7/1 893
Joaquim Simões Neyes Paneiro (Administrador Efectivo) - 4/7/1 893
José Maria Marques de Almeida Aguiar (Administrador Efectivo) - 18/4/1895
Paulo Maria de Britto Camiller - 10/9/1895
Valeriano António França (Administrador Interino) - 17/3/1897
José da Costa Bello - 10/3/1898
Padre José Cândido Gualberto da Costa Leal (Interino) - 2/7/1900
Paulo Maria de Britto Camiller - 19/6/1902
José da Costa Bello (Administrador Interino) - 11/11/1904
José Maria Marques de Almeida Aguiar - 18/4/1905
Albino Estevão Vitória Pereira (Administrador Interino) - 3/6/1905
Jacinto Alexandre-18/3/1908
Antônio Chaves (Administrador Interino) - 24/3/1908
Marcelino da Silva Gonçalves
Paulo Maria de Britto Camiller - 9/7/1910
Francisco Nunes Branco - 23/1/1911
João Afonso de Barros (Administrador Interino) - 4/8/1911
José de Sousa Pereira - 31/8/1911
Mateus Colares Vizela (Administrador Interino) - 3/11/1912
Alfredo Júlio Quintino Lopes de Macedo (Administrador Interino) - 11/6/1915
João Correia Peixoto (Administrador Interino) - 14/7/1915
João Correia Peixoto (Administrador Efectivo) - 22/9/1916
Manuel Henriques (Administrador Interino) -16/11/1917
José Frederico Moita e Costa - 6/1/1918
Dr. Bartolomeu Lemos Viana ( Administ. Interino) - 20/7/1918
Jacinto Alexandre - 21/8/1920
Gaspar Cardoso de Carvalho Machado - 23/9/1920
Jacinto Alexandre - 25/10/1920
Joaquim Gualdino Nunes Rego de Carvalho
Jacinto Alexandre - 1/6/1921
José Lourenço da Torre (Administrador Interino) 27/11/1 921
Adriano Cândido de Magalhães - 26/3/1922
J Cândido de Oliveira - 8/4/1922
José da Fonseca (Administrador Interino) - 13/5/1922
Eduardo Mário Veiga - 13/10/1923
Duarte Formoso Pinto - 31/5/1930
Joaquim Guilherme de Fana Junior - 24/7/1930
Alberto Monteiro de Proença (Administrador Interino) - 26/1/1933
Carlos Alberto de Barros e Vasconcelos da Cruz Sobral (Vice-Presidente da Câmara Municipal, com actividades como Delegado Policial) - 20/2/1941
Tenente Afonso Neyes (Vice-Presidente da Câmara Municipal, com actividades de Delegado Policial nos anos que decorreram de 1945 a 1959.

Devo referir que as Administrações de Concelho foram abolidas em 31/12/1927, pelo Decreto n° 14.812, tendo sido os seus serviços e as suas atribuições (que eram essencial mente de natureza policial) confiadas aos Presidentes das Câmaras Municipais. Estes frequentemente as delegavam nos respectivos Vice-Presidentes, pelo que durante muito tempo era usual o povo dar a quem desempenhava estas funções a designação de ‘ do Concelho” cargo que, como é óbvio, deixara de existir.