sábado, março 07, 2009

sexta-feira, março 06, 2009

Conde de Peniche

Autor: SEQUEIRA, Domingos, 1768-1837
Ficha Bibliográfica (visualização ISBD) [635569]

http://purl.pt/4477

quinta-feira, março 05, 2009

quarta-feira, março 04, 2009

O CONDADO DE ATOUGUIA E SEUS ANTECEDENTES (III)

Por: Fernando Engenheiro
Com o falecimento do 4° Conde de Atouguia foi seu filho primogénito D. Luís de Ataíde (2. herdou a casa e o título e a quem D. Filipe III confirmou a mercê em data de 11/7/1630.
Foi senhor de Peniche, Monforte, Vinhais, Sernache, Lomba e Ilha Deserta, Capitão Mor de Leiria e comendador de Santa Maria de Olivença.
Substituiu seu pai, após o falecimento deste, na provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Peniche nos anos de 1629/1630.
Casou com D. Filipa de Vilhena, que nasceu em Lisboa e morreu na mesma cidade a 1/5/1651 filha de Jerónimo Coutinho, Conselheiro de Estado e Presidente do Desembargo do Paço, e de sua mulher D. Luisa de Faro. Faleceu a bordo do navio que o levaria para o Brasil)
D.Filipa era senhora resoluta e briosa. Viúva havia pouco tempo, teve conhecimento de todos os preparativos da revolução do I° de Dezembro de 1640 e aconselhou seus filhos a que a ela aderissem e partilhassem os perigos dos seus irmãos em fidalguia e em nacionalidade.
Na madrugada do dia 1 de Dezembro, mostrando uma resolução mais que humana cingiu ela própria as armas aos seus dois filhos e mandou-os combater pela pátria, dizendo-Ihes que não voltassem senão honrados com os louros da vitória.
A sua atitude patnotica facto que ficou celebre na historia portuguesa não so honrou o Pais inteiro mas em especial a nossa Atouguia e todo o concelho jà que, na qualidade de Condessa de Atouguïa em plena actividade das suas funções pelo seu estado de viuvez, estava à frente dos destinos do Condado.
Foi uma solução certa para a época, a determinação dos 40 conspiradores que actuaram com heroísmo na defesa da nossa nacionalidade. Seria pior se assim não fosse, atendendo a que a Catalunha se tinha levantado e à Espanha não sobravam forças. Novas levas de portugueses se preparavam para combater na Catalunha e com elas deviam ir o Duque de Bragança e outros nobres de Portugal que se tinham conservado fiéis às suas tradições e ao seu nome. Era demais, transbordava a taça. Era necessário, desse por onde desse suster a degradação dos domínios portugueses submetidos aos interesses de Espanha.
Após a aclamação do Duque de Bragança como rei de Portugal, com o título de D. João IV, D. Jerónimo de Ataíde, um dos conspiradores de 1640, que por morte de seu pai assumiu a casa de Atouguia como 6° Conde foi logo nomeado governador de Peniche. Outros cargos desempenhou ao longo da sua vida tais como: Governador das Armas de Trás os Montes em 1649 e 1652, Governador do Brasil em 14/12/1642, Governador das Armas do Alentejo em 1659, Presidente da Junta do Comércio em 1664, Conselheiro da Guerra em 1661 e do Conselho de Estado em 1662 gentil homem da Camara do Rei D Afonso VI
Foi Comendador de Adaùfe e de Vila Velha de Ródão, na Ordem de Cristo. Em 1632, ainda em vida de seu pai, foi Provedor da Santa Casa da Misericordia de Peniche e, pouco tempo depois da restauração, Juiz da Confraria de Nossa Senhora da Conceição de Peniche logo apôs a sua fundação. Casou duas vezes: a primeira, em 1658, com D. Maria de Castro, sua prima coirmã, que morreu em 1661 , filha dos 2.os Condes de Penaguião (com geração); a segunda com D. Leonor de Meneses, já viúva do l. Conde de Serém, filha e herdeira de D. Fernando de Meneses e de sua mulher, D. Jerónima de Toledo, filha dos 2.os Condes de Vila Franca, que morreu a 4/9/1664.
Jaz sepultado na capela-môr da Igreja que fez parte do Convento de Santa Maria de Jesus em Xabregas (padroado da famila) após o seu falecimento ocorrido a 16/8/1665.
Deve-se a este Conde grande impulso então dado ao reforço militar de Peniche, bem como a construção da Fortaleza das Berlengas, uma vez que o perigo de uma nova ocupação espanhola espreitava todos os dias.
Foram muitos os anos em que Espanha não aceitou a restauração da independência de Portugal. Só foi possível a paz depois de uma guerra que se arrastou durante 28 anos, com muitas campanhas e mortes. O acordo foi assinado em Lisboa, em 13 de Fevereiro de 1668, pela rainha regente de Espanha D. Mariana. A Espanha reconheceu a independência portuguesa e devolveram se mutuamente prisioneiros e conquistas. Exceptuou-se a Cidade de Ceuta, que ficou na posse de Espanha.
Depois de tantos dissabores e amarguras já não foi possível ao Conde Jerónimo sentir a alegria desta paz com a Espanha por ter falecido 3 anos antes.
Foi 7° Conde D. Manuel Luís de Ataíde, filho do primeiro casamento de D. Jerónimo com D. Maria de Castro. Foi tenente-general da Cavalaria do Alentejo. Gravemente ferido na batalha de Montes Claros, no meio duma brilhante carga da sua cavalaria, que se portou com a maior valentia praticando prodígios de heroicidade. Das consequências desse ferimento veio a falecer quatro meses depois a 12/10/1665. Deixou viúva D. Vitória de Bourbon e não deixou descendentes.
Foi 8° Conde D. Luis Peregrino de Ataíde, um meio irmão do 7° Conde, filho do segundo casamento de D. Jerônimo com D. Leonor de Meneses.
Casou com D. Margarida de Vilhena, filha dos 3.os Condes do Sabugal, e foi Meirinho Mor do Reino. Foi assassinado na noite de 6/10/1689.
Sucedeu-lhe seu filho D. Jerónimo Casimiro de Ataíde na Casa e no titulo como 9°. Conde de Atouguia. Casou em 12/6/1694, com D. Mariana Teresa de Távora. filha dos 2.os Marqueses de Távora.
Não lhe é atribuído durante o seu condado que se prolongou por 30 anos algum feito que o tomasse particularmente notado. No Livro de Vereações de Atouguia de 1703/1708, fIs. 188 e 188v, encontra-se registada referência à formação duma companhia de ordenanças dos homens solteiros de Atouguia e seu termo. Também lhe é atribuído no Livro de registos de provisões e alvarás da Câmara de Atouguia de 1710/1721, fIs. 64v a 65, o traslado de um alvará de mercê do Castelo da Vila de Atouguia a favor de Henrique de Matos Boracho.
Foi este fidalgo que, por haver casado com uma das filhas do marquês de Távora, estreitou as ligações entre as duas famílias nobres tragicamente envolvidas, meio século depois, no atentado
a D. José. Faleceu D. Jerónimo Casimiro de Ataíde a 30/11/1720.
Peniche, de quem estes fidalgos eram Donatários, tinha na época (cito a “Corographia Portugueza” -1712- Tomo III):
“Tem dous Juizes Ordinários, Vereadores, hum Procurador do concelho, escrivão da Câmara, hum Juiz dos Órfãos com seu escrivão, dous Tabeliens, & hum Juiz da Alfandega, com seus officiaes, que apresenta El-Rey. Tem quatro Companhias da Ordenança, & de presídio por ser praça de armas, huma Companhia de Cavalos, & hum Terço de Infantaria paga, com seu Governador. He senhor desta Villa o Conde de Atouguia, & lhe rende cinco mil cruzados dos dizimos do peyxe, & das sahidas das embarcaçoens, que sahem da sua barra, & de suas cargas lhe pagão dez por cento; & a Câmara lhe dá hum jantar cada anno, que importará duzentos mil réis”.
Por falecimento do 9° Conde, D. Jerónimo Casimiro de Ataíde, sucedeu-lhe no título seu filho D. Luís Peregrino de Ataíde como 10° Conde de Atouguia e Donatário de Peniche, de seu nome completo Luís Pedro Peregrino de Menezes Carvalho e Athayde). O título foi-lhe confirmado por carta no reinado de D. João V, em 2/3/1713.
Enquanto menor, sua mãe D. Mariana Teresa de Távora, Condessa de Atouguia, como tutora da pessoa e bens do Conde seu filho, donatário das Vilas de Atouguia e Peniche, superintendia nas concessões dos alvarás e provisões das Câmaras de Peniche e Atouguia para poderem exercer as suas jurisdições sem embargo.
Luís casou, a 30/1/1720, com D. Clara de Assis Mascarenhas, filha dos 2.os Condes de Óbidos. Foi Governador e Capitão General do Algarve e pertenceu ao Conselho de D. João V. Em 1749 foi nomeado Vice-Rei do Brasil (o 6°) alto cargo que deteve até 1755. Foi durante o seu governo que Portugal cedeu à Espanha os seus direitos sobre a margem esquerda do rio da Prata. Reorganizou as unidades militares e regulamentou o trabalho nas minas de ouro e nas fundições. Como tardassem em conceder-lhe a demissão, em 1755 retirou para a Europa, entregando o governo a uma Junta Provisória de que faziam parte o Arcebispo da Baia, D. José Botelho de Matos, o Provedor-Mor da Fazenda, Manuel António da Cunha Soto-Maior, e o coronel Lourenço Monteiro.

terça-feira, março 03, 2009

domingo, março 01, 2009

Peniche, Gente do Mar







Os Pescadores 1919 Raul Brandão

Peniche é horrível Por toda a parte por onde têm passado os homens dos municípios por toda a parte transformaram as terras cheias de carácter em terras incaracterísticas com edificações banais, avenidas novas e chalés de zinco nos jardins. Degradaram tudo. Peniche que foi uma fortificação e um ninho de piratas isolado e feroz, à espreita do naufrágio e da presa, cheira que tomba, e conserva duas coisas interessantes : o cabo (hão-de deitá-lo. abaixo) com a Senhora dos Remédios e a esplanada, que é um esplêndido cenário para o último acto da Tosca e um ponto de vista admirável para o sul- traço indistinto a roxo, com um ou outro casal, uma ou outra aldeia dispersa e sem nome.

sábado, fevereiro 07, 2009

A FISHERBOY OF PORTUGAL "O Rapaz Pescador de Portugal"


Na mercearia do Serralha em Peniche

Joaquim Antonio com a sua mae vendendo peixe no mercado de Peniche

Venda do peixe na antiga lota de Peniche

Chegada do peixe no antigo porto de pesca de Peniche


Fotos de: INGEBORG LIPPMANN

A FISHERBOY OF PORTUGAL "O Rapaz Pescador de Portugal"



Escola de pesca de Peniche em 1971
FOTOS DE: INGEBORG LIPPMANN

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

O CONDADO DE ATOUGUIA E SEUS ANTECEDENTES (continuação)

A D. Álvaro Gonçalves de Ataíde, primeiro Conde de Atouguia, sucedeu seu filho D. Martinho de Ata como já vinha acontecendo também com poderes de “Donatário”, o que lhe conferia poderes para fundar povoações, cobrar impostos, distribuir terras, administrar justiça, salvo em caso de crimes de morte ou “talhamento de membros”, e ter vários monopólios, como da venda de sal, dos fornos públicos, dos moinhos de vento ou de água, também designados por azenhas.
Foi casado com D. Catarina de Castro, condessa de Avranches. Foi Condessa da Atouguia e era já viúva de D. Alvaro de Almada (faleceu a 1/11/1453), muito pouco tempo depois do seu enlace matrimonial com o conde Martinho, sem deixarem descendentes.
Casou o referido conde pela 2° vez, em 1457, com Filipa de Azevedo, filha de Luís Gonçalves, tesoureiro de El-Rei, do seu conselho e vedor da sua Fazenda.
Foi filho destes D. João de Ataide, casado com D. Brites da Silva, filha dos primeiros Condes de Penela. Não sucedeu no titulo e casa porque depois de viúvo e ainda em vida de seu pai se meteu a frade da Ordem de S. Francisco, na quai viveu esta fase de sua vida santamente.
Merece este Frei João de Ataíde uma especial referência já que foi “ Senhor que foi de Atouguia” mas sem ter o titulo de conde, pois mais honra lhe deu vir um dia a ser Frade Menor de S. Francisco do que fidalgo da melhor fidalguia do Reino de então.
Levaram seus pais muito a mal a resolução do filho, vendo nele interrompida a sucessão da casa. Logo no seu noviciado deu evidentes evidentes mostras da sua virtude, parecendo mestre de perfeiçoes, sendo ainda discípulo entre os mais noviços”. Foi porteiro no Convento de Santa Catarina da Carnota e alguns “milagres” lhe foram atribuídos da mais variada natureza e grandeza. Com o generoso apoio da Rainha D. Leonor, mulher de D. João II, criou dotes para tomarem estado de matrimónio mulheres perdidas nos meandros da prostituição. Pedia no Paço para acudir às gentes do campo. A pedido do Rei D. Manuel, foi ele o indigitado para fundar o Convento de Vila Viçosa, onde viveu desde 1503 até 1507, tendo morrido nesta casa aos 13 de Novembro desse ano. Logo sua sepultura foi oratório de romeiros, até que no ano de 1547, por influência de D. Luís de Ataíde, neto do venerável João, se fizeram trasladar suas rel para o Convento de S. Bernardino, “por estar em terra do seu condado”.
Passaram ainda as relíquias pelo palácio da mãe do mesmo conde e novos milagres e graças lhe foram atribuídas até que, no ano de 1559, foram trasladados para o novo Convento, tendo assistido as Comunidades de Peniche e de S. Bernardino. “Deste servo de Deus escreveram muitos cronistas da Ordem e alguns Autores de fora, sendo todos uniformes na Relação da sua Vida, virtudes e milagres”.
Devo dizer, depois de tomarmos conhecimento e analisarmos um pouco da vida deste servo de Deus, que não nos custa a acreditar, atendendo às suas altas qualidades de bondade e prontidão a ajudar os mais necessitados, que era forte o seu desejo de, depois de viúvo, trocar logo as delicias e brandura do leito por uma tábua dura, não aceitando o titulo de Conde, e assim ser sucessor de seu pai, por não se sentir preparado para o bom desempenho daquelas funções já que eram frequentes as queixas contra as doações aos nobres, como as apresentadas nas Cortes de Evora em Novembro de 148l que passo a relatar:
“Disseram os procuradores das cidades e vilas que muitas terras deviam regressar à coroa. E uma critica à politica geralmente seguida por D. Afonso V. Os moradores estão cansados dos abusos e exigências dos Senhores.
Quanto a vilas grandes e outras meãs, e outros lugares, foram e são desmembrados da vossa real coroa, que mais dignas eram e são de liberdades e honras que de serem dadas a muitos senhores e fidalgos, de que são tratados os moradores fora de toda a humanidade, com tão ásperas cruezas que é piedosa coisa de ouvir quanto mais se sentir.”
Foi seu sucessor seu neto, Luís de Ataíde, que nasceu em 1517, filho segundo de D. Afonso de Ataíde e de sua mulher, D. Maria de Magalhães. Casou três vezes: a primeira com D. Joana de Távora Vilhena, filha de Luís ,Alvares de Távora, 13°. Senhor de Mogadouro, e de Filipa de Vilhena; a segunda com D. Maria de Noronha, filha dos 4.os Condes de Odemira; a terceira com sua sobrinha D. Isabel de Meneses, filha de Tristão da Cunha, comendador de S. Pedro de Torres Vedras, e de D. Helena de Ataíde (sua irmã). Esta Condessa professou, depois de viúva nas freiras descalças da Madre de Deus de Lisboa.
Foi este ilustre Senhor da Casa da Atouguia combatente como guerreiro nas campanhas de Africa, tomou parte na expedição ao mar Roxo, sob o comando de D. Estevão da Gama, por quem foi armado cavaleiro. Nomeado, por D. Sebastião, Vice-Rei da India foi um dos mais ilustres e de tal maneira se desempenhou do lugar, no domínio militar e de saneamento da administração pública, que se tornou notado nos combates contra o Hidalcão, Nizam Melek, o Samorim, o Sultão de Cambaia. Quando regressou à Metrópole, a 6 de Janeiro de 1572 foi recebido pelo Rei, com todas as honras, entrando em Lisboa com todo o aparato e devida solenidade, tendo sido conduzido debaixo do pálio, à direita do Rei, desde a Sé até a Igreja de S Domingos.
Voltou a ser nomeado uma vez mais Vice Rei da India, para onde partiu a 16 de Outubro de 1677 com três naus. Là iniciou um segundo periodo de governação, assegurando a paz e a nossa soberania com os vários príncipes hindus.
Em Peniche além das grande obras que requereu e dirigiu, no dominio militar, na sua qualidade de Alcaide Mor, também mandou construir um convento para frades da Ordem de S. Francisco, frente ao mar do norte a caminho da antiga capela de Santa Cruz (actual Igreja de Nossa Senhora dos Remédios), para lhe servir de repouso eterno apôs o seu falecimento. Morreu na India quando pensava embarcar para Portugal com os seus soldados e lançar se nas hostes do Prior do Crato, que defendia a independência.
Foi depositado o seu cadáver na capela-mor da Igreja dos Reis Magos, em Goa, e depois trasladado para o Convento do Bom Jesus, em Peniche. a seu pedido, ficando num belo túmulo na capela-mor do lado do Evangelho.
Após a abolição das Ordens Religiosas, em 1834, o edificio foi abandonado, caindo em ruinas. Destruído o sepulcro de D. Luis de Ataíde foram as ossadas do herói transportadas para a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda em Peniche. Longos anos se passaram sem se dar qualquer solução aos restos mortais de tão grande homem que foi D. Luís de Ataíde. Na sequência de uma visita feita em 1878 pelos membros da Câmara Municipal de então à Igreja matriz da Ajuda, que ficaram surpreendidos pela forma como estavam tratados os restos mortais de tão grande homem, foi aprovada pelo Município uma verba destinada à trasladação dos ossos de D. Luís de Ataíde para mais condigna sepultura. Porém, em face da escassez de recursos, tudo ficou na mesma.
Em 11 de Março de 1898, na Revista “O Ocidente”, por ocasião das comemorações do 4° centenário do descobrimento do caminho marítimo D. Maria Ribeiro Artur publicou um texto evocativo desta grande figura nacional e lamentando o abandono a que estavam votados os seus restos. Nada adiantou, pois só a partir da reunião camarária de 6/8/1929, foi dado o devido andamento a este assunto. Em reunião de 12/3/1931 foi aprovada, por unanimidade, a trasladação para a igreja da Santa Casa da Misericórdia de Peniche dos restos mortais de D. Luís, a serem colocados numa urna a expensas do Município, devendo previamente serem convidadas todas as entidades oficiais para assistir a esta tão justa homenagem. E assim, finalmente, tiveram sepultura condigna os restos mortais do 3° Conde de Atouguia.
D. Luís de Ataíde, embora tenha, como acima refiro, celebrado três matrimónios, não deixou filhos. Sucedeu na Casa (mas não no título) seu irmão D. Alvaro Gonçalves de Ataíde que já era de idade bastante avançada nessa data. Foi comendador de Santa Maria de Escalhão e serviu na India.
Foi 4°. Conde João Gonçalves de Ataíde, neto de Simão Gonçalves da Câmara, 3° Capitão Donatário do Funchal, e de D. Isabel da Silva, filha do 2° Conde. Herdou o titulo por via de sua avô, por falta de descendentes do 3° Conde e seus irmãos, concedido por D. Filipe I (II, de Portugal) em 1588, a casa de Atouguia de juro e herdade, com as ihas Berlengas e Baleal e, em 1592, o mesmo soberano lhe confiou o castelo, pescaria e comenda de Arguim.
Foi também comendador de Adaúfe na Ordem de Cristo.
Casou com D. Mariana de Castro, que morreu viúva a 25/5/1632, dama da Infanta D. Isabel, filha herdeira de Martim Afonso de Miranda, Guarda-mor e Camareiro do Cardeal-Infante D. Henrique, alcaide-mor de Monte Agraço, e de sua mulher, D. Joana de Lima.
Foi o Conde D. João de Ataide, muito apaziguado pelo rei Filipe II de Espanha, a quem sempre serviu com muito esmero e dedicação. Recebeu em troca muitas mercês e honrarias. Cerca de vinte anos depois de ter recebido a doação e Senhorio de Peniche, consegue do Poder Real a criação do seu concelho, em 12 de Novembro de 1609, separando-o da Vila de Atouguia. Para que tal facto se desse o conde apresentou a seguinte razão:
“Que o dito lugar tinha novecentos para mil vizinhos e entre eles quatro Companhias, com seus Capitães e Oficiais, de boa gente, com uma Fortaleza e um porto muito bom, onde havia sempre navios, assim da terra como de fora, e outros que ali se acolhiam perseguidos dos corsários e ladrões, de que era mais frequentada aquela costa, principalmente naquela paragem por estar perto das Berlengas, onde os ditos corsários tinham o seu acolhimento ordinário.
E rendia o dito lugar, de sua imposição, Alfândega e Sisas, oito mil cruzados, de modo que para Vila tinha mais qualidades, rendimentos e povo que Atouguia, que não chegavam a cento e cincoenta visinhos, e que todas as mais Vilas que havia nesta costa de Sines a Buarcos.”
A 12 de Novembro de 1609 foi publicada a caria da elevação de Peniche a Vila nos seguintes termos:
“DOM FILIPE, por Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves etc. Faço saber aos que esta minha Carta virem, que D. João Gonçalves de Ataíde, Conde de Atouguia, me pediu por sua petição lhe fizesse mercê que o logar de Peniche, termo da Villa de Atouguia, fosse VILLA
Obtida essa mercê, não tardou em pôr à disposição da Vila de Peniche instalações para o bom desempenho dos serviços p cos e tudo o que foi poss ao seu alcance.
Também conseguiu do rei Filipe II comparticipação para fazer obras no Paço da Serra de El-Rei, onde residia quando se encontrava por estes seus Senhorios de Atouguia e Peniche.
Faleceu o Conde D. João a 14/4/1628. Na época, além das suas altas responsabilidades ao serviço da Coroa, estava à trente dos destinos da Santa Casa da Misericórdia de Peniche, na qualidade de Provedor.
(Continua no próximo número)

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

A FISHERBOY OF PORTUGAL "O Rapaz Pescador de Portugal"

O ANTIGO PORTO DE PESCA DE PENICHE

ESTALEIROS DA GAMBOA EM PENICHE DE CIMA
FOTOS DE: INGEBORG LIPPMANN

Fotografia Franco Quem se lembra?



Como as coisas mudaram, ainda nào ha muitos anos, tinhamos de esperar para ver os fotos.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

O CONDADO DE ATOUGUIA E SEUS ANTECEDENTES

Por: Fernando Engenheiro
A Fundação da Nacionalidade Portuguesa tem como exclusiva referência a conferência de Zamora com o príncipe Afonso Henriques, Afonso VII, rei de Castela e Leão e o Cardeal Guido de Vico, emissário do Papa Inocêncio II. N, em 1143, foi reconhecida a inde pendência de Portugal e dado a D. Afonso Henriques o título de rei.
Poucos anos depois, a 24/10/1147, Lisboa foi conquistada aos mouros com o auxilio dos cruzados, franceses e de outras nacionalidades, que se encaminhavam navegando para a Palestina (Terra Santa), onde pretendiam apoderar-se do túmulo de Cristo, há muito tempo na posse dos infiéis.
Com alguma dificuldade foi possível a D. Afonso Henriques negociar com os cruzados a sua participação nessa tão arriscada luta, que iria decidir a cimentação da nacionalidade portuguesa.
Para conseguir obter o seu auxilio na desejada conquista prometeu-lhes, entre outras benesses, a doação de terras em diversas áreas do pequeno país que tínhamos em formação.
Coube ao fidalgo francês Guilherme de La Corni a doação das terras de Tauria (Atouguia), o senhorio do seu importante porto e do seu frutuoso comércio e seus domínios, onde incluíam as ilhas de Peniche, Berlengas e Baleal.
A doação foi feita por carta do Rei Afonso e de sua mulher a Rainha Mafalda de Sabóia na era milésima centésima nonagésima sexta (ano cristão de 1158).
Tinha como garantia espiritual a seguinte imposição exigida por aquele monarca e esposa: “Se algum de nossos filhos ou filhas, ou quaisquer da nossa geração, quiser quebrar isto que estabelecemos seja maldito e excomungado e, como Judas traidor de Cristo, seja sepultado no inferno’. (Torre do Tombo, gaveta II, maço 7, n°12).
Guilherme morreu sem geração, pelo que o senho rio passou para seu irmão Roberto cuja descendência, ao longo dos anos, prolongou-se ainda por mais 4 gerações (filho, neto, bisneto e trineto) como consta em “Monarquia Lusitana”, parte 3, nota 9.
Mais tarde a doação, não se sabe como, entrou no patrimônio de Fernão Fernandes Cogominho, rico/homem que viveu no tempo de D. Afonso III (1248-1279) tendo desempenhado o cargo de alcaide de Coimbra. Casou com Joana Dias a quem, por sua morte, deixou o senhorio.
A posse por Joana Dias do senhorio recebido do seu marido não foi pacifica e foi contestada por el-rei Dinis. A contestação deu origem a um pleito com sentença favorável ao monarca. Assim, em 3/2/1307, o senhorio da Atouguia e seu termo voltaram à coroa.
D. Dinis (1279-1325), agora senhorio, fez doação do mesmo a sua mulher e rainha isabel de Aragão (a rainha Santa Isabel). Por sua morte herdou o senhorio seu neto D. Pedro.
D. Pedro ofereceu-o a sua mãe, a rainha vit D. Beatriz. D. Pedro habitou com frequência o Paço da Serra e mandou construir um palácio na povoação do Moledo, que lhe fica perto. Aí terá vivido por algum tempo Inês de Castro, que residia em Coimbra.
Por morte da rainha vit D. Beatriz, atacada pela peste que assolou o Pais, o senhorio foi herdado por seu neto D. Fernando. Este faz dele doação a Aires Gomes da Silva, por carta de 12/7/1370, com todos os seus direitos e rendas menos os da caça à baleia.
Em 1375, na Atouguia, no Largo da Igreja de S. Leonardo, o senhorio era da rainha D. Leonor Teles, com quem D. Fernando tinha casado em Setembro de 1372, (possivelmente por ser a praça principal onde todo o comércio era efectuado, além das repartições públicas ali concentradas). Este bem fez parte do dote de seu casamento.
Por morte de D. Fernando, ocorrida a 23/10/1383, estava a herdade de Atouguia e seus domínios em poder daquele monarca, ficando a vit governadora do Reino.
Sucedeu-lhe D. João I, de Boa Memória, a 6 de Abril de 1385, o qual foi jurado Rei pelas Cortes realizadas no Convento de S. Francisco, em Coimbra, e que, pouco depois, a 14 de Agosto do mesmo ano, na batalha de Aljubarrota, assegurou a posse da coroa.
No primeiro ano do seu reinado D. João I fez doação, por carta de 4/9/1385, a João Roiz da Mota, documento que passo a transcrever em apontamento resumido:
“João Roiz da Mota, nosso vassalo e querendo-lhe conhecer e galardoar com mercê, como cada um rei é teúdo de fazer àqueles que o bem e verdadeiramente servem, querendo-lhe fazer graça e mercê de livre vontade, de ciência e poder absoluto, lhe damos e fazemos pura doação que valerà deste dia para sempre, por juro e herdade para ele e para todos os que dele descenderem por linha direita a nossa vila da Atouguia, com todos seus termos e alcaidaria dela com todas as suas rendas e direitos e pertenças, assim por aquela guisa que nôs havemos e de direito devemos haver”.
Desconhece-se o efeito que esta carta de doação teve pois pouco tempo depois tudo estava novamente em poder da Coroa (talvez por não haver descendentes de linha directa ou, possivelmente, os herdeiros com direitos se entregassem a vida religiosa e prescindissem dos bens materiais).
D. João I fez ainda doação a seu filho D. Fernando do senhorio do porto da vila e a D. Nuno Alvares Pereira dos direitos e rendas que tinha sobre a vila, pela sua intrepidez nas guerras com a Espanha.
Trata-se do Infante D. Fernando que foi o 2. duque de Viseu e I. duque de Beja e que, tendo ficado em Tanger como refém pela prometida restituição de Ceuta, a faleceu.
Por morte do rei que ficou conhecido por “o da Boa Memória” sucedeu no trono seu filho D. Duarte, aos 42 anos de idade em 1433, que também foi Senhor absoluto de todos estes domínios.
Seu filho D. Afonso V nasceu a 15/1/1432 e tinha apenas seis anos quando seu pai faleceu. Recebeu a sucessão mas a sua menoridade não lhe permitiu assumi-la, pelo que foi seu tio D. Pedro, duque de Coimbra, filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre que assumiu a regência do reino até à maioridade do rei seu sobrinho.
D. Pedro nasceu em 1392 e morreu na batalha de Alfarrobeira em 20/5/1449.
Entretanto D. Afonso V havia celebrado matrimônio com sua prima Isabel, filha do infante D. Pedro e de D. Isabel, duques de Coimbra. Os esponsais realizados em Óbidos, em 1441 , foram confirmados em Santarém em 1447. No dote de casamento a favor da esposa estavam incluídas as vilas que tinham pertencido à rainha D. Leonor de Aragão, esposa de D. Duarte, falecida em Toledo a 25 de Fevereiro de 1445, excepto Atouguia e seus domínios, a confrontar com os limites de Óbidos, estes instituídos nos referidos bens.
Foi D. Afonso V um dos soberanos que ao longo do seu reinado mais benesses e mercês concedeu à fidalguia que o serviu. Foi ele que quis fazer de ATOUGUIA um CONDADO, uma espécie de pequeno Estado dentro do grande Estado, no qual o seu governante gozaria de uma certa autonomia.
ALVARO GONÇALVES DE ATAÍDE natural do Algarve, filho de Martim Gonçalves de Ataíde, alcaide-mor de Chaves, e de D. Mécia Vasques Coutinho, aia dos infantes filhos de D. João I, por carta de 17 de Dezembro de 1448, D. Afonso V fez doação da vila da Atouguia, com seu castelo, termo, toda a jurisdição e padroado, elevando-o assim a CONDE da mesma vila. Depois desta nomeação passou a chamar-se D. ALVARO GONÇALVES DE ATHAIDE, como consta da carta de 5 de Março de 1450 de confirmação do contrato de casamento (Misticos L°3°, fls.74 e 110).
Esta nomeação foi justificada pelas suas extraordinárias qualidades e pelos valorosos serviços prestados ao seu país. Álvaro Gonçalves de Ataíde havia estado ao serviço do Infante Duque de Coimbra com quem combateu na Bósnia apoiando o Imperador Segismundo, participou na tomada de Ceuta e na expedição que, três anos depois, dirigida pelo Infante D. Henrique, o “Navegado ali voltou para o “descerco” da mesma cidade, foi um dos representantes de Portugal no Concilio de Constança, de que resultou a unificação da Igreja sob um único Papa, e foi aio do infante D. Afonso futuro rei.
Cito algumas referências que lhe são feitas em diversa documentação, esclarecendo previamente o seguinte: Em 1422, em 12 de Agosto, D. João I, estando em seus paços na Vila de Óbidos, determinou que todos os documentos públicos em Portugal passassem a ser datados não pela era de CESAR, mas pela era do NASCIMENTO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. A diferença entre as duas eras é de trinta e oito anos. Assim o ano que corna era o de 1460 pela Era de César e passou a sen o de 1422 pela Era de Cristo.
1420 - Alvaro Gonçalves de Ataíde, do conselho e governador da casa do infante D. Pedro (filho de D. João I) e alcaide do castelo de Monforte de Rio Livre, obtém carta em 10 de Outubro para cinquenta homiziados poderem viver na vila e povoá-la.
1425 - D. Pedro, por carias de 15 de Junho doa a Alvaro Gonçalves de Ataíde, pelos serviços por ele prestados como seu cavaleiro e do conselho de seu pai e governador de sua casa, os casais da Chança e do Carvalhal, no termo da vila de Penela e o lugar de Cernache.
Alvaro Gonçalves de Ataíde mostrou o privilégio que lhe fora dado por D. João I que é do teor seguinte:
Alvaro Gonçalves de Ataíde, do nosso conselho e regedor da casa do infante D. Pedro, meu filho, carta de privilégio para seus caseiros, lavradores, amos e mordomos. Dada em Lisboa a 8/10/1425. Carta confirmada em Santarém a 24/10/1440 por D. Afonso V.
Em 1445 armou uma das 26 caravelas que se destinaram a Guiné e da qual era capitão João de Castilha, juntamente com uma caravela de Picanço e outra de Tavira, esteve em Palma e na Gomeira, onde realizou proezas várias com a ajuda de dois capitães, Bruco e Piste, que ali residiam e se tornaram servidores do Infante. Foi cavaleiro da Ordem da Espada e, como acima refiro, aio do próprio rei D. Afonso V.
Casou na Era de César 1450 (1412) em Lisboa, por carta de arrás, com D. Guiomar de Castro, que foi aia da Infanta D. Leonor (depois Imperatriz da Alemanha), filha de D. Pedro de Castro, senhor do Cadaval e de sua mulher, D. Leonor Teles de Meneses.
Fundou esta ilustre Condessa de Atouguia, depois de viúva o Convento de Santa Maria de Jesus em Xabregas. Tomaram dele posse os religiosos no dia 17/4/1460. El-rei D. Afonso V e grande parte da fidalguia assistiram a este solene acto.
Ali mandou construir jazigo para os Atouguias, seus descendentes que, por gerações que se seguiram, foram proprietários do seu padroado.
Também o então oratório chamado “da Fontinha”, nome primitivo dado ao já extinto Convento de São Francisco em S. Bernardino, foi objecto da sua generosa contribuição para poder concretizar a construção daquela casa de oração em terreno oferecido por Pedro Alvares, tabelião da vila da Lourinhã.
E de salientar a valiosa contribuição que deu na época para as grandes obras de conservação e alguma remodelação na Igreja de São Leonardo, em Atouguia da Baleia. É-lhe atribuída a construção do coro existente ao fundo da nave central, encostado à parte interior da fachada sobre a porta principal (eliminado aquando das obras de restauro da igreja executadas pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais na década de 1970). A construção do coro é testemunhada por uma lápide gótica que a ele se refere, e tem a data de 1463, que existiu colocada na primeira coluna daquele templo no lado da epistola (hoje exposta num dos altares laterais sem qualquer fixação).
Faleceu D. Alvaro na era de Cristo de 1452, sendo seu corpo depositado num mausoléu construído para o efeito na Capela Mor da Igreja de S. Leonardo de Atouguia, sede espiritual do seu Conda do, acima do quai foi colocada uma inscrição gravada em caracteres góticos encimada pelo Brasão dos Ataídes.
Sua mulher D. Guiomar de Castro, Condessa de Atouguia, foi a sepultar no Convento de Santa Maria de Jesus em Xabregas, por ela mandado construir.
(Continua no próximo número)

domingo, fevereiro 01, 2009

A FISHERBOY OF PORTUGAL "O Rapaz Pescador de Portugal"



Imagens do carnaval, provavelmente de 1971


Fotos de: INGEBORG LIPPMANN



A FISHERBOY OF PORTUGAL "O Rapaz Pescador de Portugal"

Peniche 1970

Escola de pesca de Peniche 1970

Antiga ribeira 1970

Fotos de: INGEBORG LIPPMANN