domingo, novembro 30, 2008

Memórias da Imigração Portuguesa em França IV

Março de 1965, sala de espera da estação de Hendaye, imigrantes portugueses.

Paris 1965 estação d'Austerlitz chegada de imigrantes Portugueses.
Provavelmente em 1965, viagem de comboio para Paris, quanto as condições é sem comentários.

Fotografias do site de: Gérald Bloncourt http://www.bloncourt.net/

sobre a emigração para França entre 1950 e 1974 http://aurevoirportugal.blogspot.com/2009_12_01_archive.html

quinta-feira, novembro 27, 2008

Memórias da Imigração Portuguesa em França III

Inverno (ou inferno) 1964 na região parisiense, imigrante português levando o carvão para o aquecimento.

Sem comentários: Champigny 1964

As caixas do correio: Champigny 1964

Fotografias do site de: Gérald Bloncourt http://www.bloncourt.net/

sexta-feira, novembro 21, 2008

Memórias da imigração Portuguesa em França II


Aqui temos a chegada ao Hotel Ritz, 5 estrelas claro, quartos com jardim privativo, e a familia em Portugal a pensar que eles iam viver pras BARRACAS, era mesmo o paraíso “antigamente é que se vivia bem” hoje esta tudo em crise!!!!!!


E como sempre os portugueses não têm educação nenhuma, num Hotel 5 estrelas, chama-se o serviço apropriado , lavar e estender a roupa no quarto com jardim privativo, claro que dá sempre um mau aspecto, hoje vivem na maioria em casas confortáveis, não tinham classe para viver nestes hotéis para gente chic!!!!

Fotografias do site de: Gérald Bloncourt http://www.bloncourt.net/

quinta-feira, novembro 20, 2008

Quem foi o doutor Bonifácio da Silva

Por: Fernando Engenheiro
De seu nome completo JOSÉ Bonifácio DA SIL VA era natural de Vale de Prazeres, Concelho do Fundão, diocese e distrito Administrativo de Castelo Branco. Nasceu a 14 de Outubro de 1886, filho de Joaquim Bonifácio da Silva, de profissão ferrador, e de Joana Caetana, governanta da sua própria casa, também na- turais da freguesia de Vale de Prazeres, nela recebidos na paroquial de São Bartolomeu, onde este seu filho recebeu na pia baptismal, a 7 de Dezembro do mesmo ano, o nome de “José” pelo presbitero coadjutor daquela freguesia.
Residentes que foram na Rua Direita daquele lugar, ao que nos é dado saber, foram frutos do seu matrimônio além do José Bonifácio, Antônio Bonifácio da Silva, que seguiu a vida e e Luís Bonifácio da Silva.
Prestes a completar os 19 anos de idade, José Bonifácio ofereceu-se como voluntário para o cumprimento dos deveres militares, por antecipação, no Regimento de Cavalaria n°4. Ali foi incorporado a 2 de Outubro de 1905, servindo no efectivo até 2 de Setembro de 1913. Assim, neste espaço de tempo serviu o governo da Monarquia e o governo da República.
Frequentou na Universidade de Coimbra o Curso Geral da Faculdade de Medicina e alcançou aprovação nos exames e provas a que pela organização da respectiva Faculdade era obrigado obteve o grau de Bacharel em 14 de Julho de 1916, aos vinte e nove anos de idade.
Estava-se na época em plena 1° Guerra Mundial (1914/1918) e, embora o nosso Pais não estivesse liga do aos primeiros acontecimentos que originaram toda a tragédia, bem podia vir a ser envolvido no conflito - como aconteceu - atendendo à nossa aliança com o Império Britânico.
O Doutor José Bonifácio, por decreto de 25 de Agosto de 1916, foi promovido a alferes médico miliciano e no dia seguinte, para efeitos de mobilização, é colocado no 2°Grupo de Companhias de Saúde em Coimbra. Embarcou para França, fazendo parte do 2° Batalhão do 7 Regimento de Infantaria n°2, em 27 de Maio de 1917. Já em plena missão foi promovido, em 24 de Setembro, a tenente médico miliciano.
No regresso de França, desembarcou em Lisboa em 12 de Fevereiro de 1918, com a sua missâo cumprida. Foi condecorado com a Medalha da Vitória, com Estrela de prata sobre a faixa da Medalha da Vitória.
Ao regressar à vida civil, desamparado, sem em prego, concorreu a um lugar na Câmara Municipal da Chamusca. Ali foi colocado a exercer as funções de médico municipal na freguesia de Pinheiro Grande. Não satisfeito, pouco tempo depois, na sequência de concurso público, o Dr. José Bonifácio da Silva toma posse do cargo de médico interino do 2. partido médico do Concelho de Peniche, com sede nesta Vila, em 13 de Setembro de 1918.
Chegou a Peniche solteiro, sem qualquer companhia familiar, e instalou-se numa casa particular na Rua Marechal Gomes Freire de Andrade.
Sentindo necessidade de formar familia a sua escolha recaiu numa filha de Luis Maria Freire de Andrade, pessoa que na época se encontrava à frente dos destino do Municipio e cuja casa certamente visitava.
Assim, a 23/1/1919, na capela particular da casa da tia da nubente, D. Isabel Maria Godinha Tavares, situada na Rua Alexandre Herculano (prédio onde hoje existe o Café Aviz) em Peniche, por uma provisão do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Neto, foi celebrado o seu casamento, aos 32 anos de idade, com D. Maria das Dores Godinha Tavares Freire de Andrade, de 21 anos de idade, nascida em 1897 na freguesia de Nossa Senhora da Ajuda em Peniche
Seus sogros eram Luis Maria Freire de Andrade, conceituado comerciante e proprietário em Peniche, donde era natural, e D. Balbina da Purificação Godinha Tavares, natural da freguesia de Santa Justa e Rufina da cidade de Lisboa.
Foi presbitero assistente neste enlace matrimonial o Pároco de Fatela e irmão do conjugue, Padre António Bonifácio da Silva.
Atendendo à s situação dei ao serviço do Municipio de Peniche, esteve ainda por algum tempo ligado à Câmara Municipal da Chamusca.o seu casamento teve curta duração – não foi além de 4 anos - por falecimento de sua esposa, a 22 de Fevereiro de 1923, na freguesia de Belas, do Concelho de Sintra (obito 133/1923-Sintra).
Naquele espaço de tempo nasceram duas filhas: Maria Teresa Freire de Andrade Bonifácio da Silva e Maria do Carmo Freire de Andrade Bonifácio da Silva.
As crianças foram criadas por uma empregada de nome Gertrudes, natural da Serra do Calvo, do Concelho da Lourinhã, que as criou com o maior afecto permanecendo naquela casa até se finar.
Já viúvo, a 4 de Agosto de 1923, o Dr. Bonifácio toma posse em Peniche do lugar de médico municipal das freguesias rurais, com sede em Atouguia da Baleia, em substituição do Doutor José Nogueira Pereira Lobo, em actividade desde 3/9/1912.
Com o vencimento anual de sete mil e duzentos escudos, manteve-se ininterruptamente no exercício destas funções até ao dia 11 de Janeiro de 1937, data em que foi exonerado a seu pedido por se considerar incurso no art. 473 do Código Administrativo de 1936, ficando em sua substituição, interinamente, o Doutor João José Pita da Silva.
A sua exoneração de médico municipal tornava-se imprescindível para o exercício do cargo que viria a exercer de Sub-Director Médico da então Colonia Correcional de S. Bernardino.
Ainda antes, apôs a Constituição Politica de 1933, estava a exercer a convite do Governo Civil do Distrito as funções de Presidente da União Nacional Concelhia, lugar a executar pela alta confiança do Poder Central. Por algum tempo deixou esta actividade para assumir a Presidência da Câmara Municipal de Peniche no espaço compreendido entre 27/11/1941 e 8/2/1945.
Alma beirã, culto e de prestigio, a sua actividade muito contribuiu para o progresso deste Concelho.
Lembro aqui que nas décadas de 30 e 40 assumiu os cargos de Presidente da Direcção da Caixa de Crédito Agrícola Mutuo de Peniche e de Presidente do Gré mio da Lavoura de Peniche, mantendo a sua actividade profissional como Director Clínico da Cadeia do Forte de Peniche e como Clínico Geral da Casa dos Pescadores.
Apôs a passagem de testemunho como Presidente do Municipio para o Comandante José da Motta Coutinho Garrido, reassumiu o cargo político de Presidente da União Nacional Concelhia, onde se manteve até aos últimos dias da sua vida, sendo depois substituído por José da Conceição Fernandes Bento, comerciante e proprietário em Peniche.
Não posso deixar de referir a sua contribuição para o desenvolvimento local como um dos fundadores do Instituto D. Luís de Ataíde, estabelecimento de ensino secundário particular criado a partir de 1934 no rés-do chão do edificio dos Paços do Concelho e transferido em 1937 para um edificio solarengo situado na antiga Rua do Cais, actual Avenida do Mar onde funcionou até ao ano lectivo de 1951/1952.
Foi durante largos anos Director e grande entusiasta deste estabelecimento de ensino que muito serviu sucessivas gerações de jovens penichenses até à criação do ensino secundário oficial na Escola Industrial e Comercial de Peniche.
Além de outros cargos, desempenhou até se finar funções como membro do Conselho Municipal de Peniche.
Ainda hoje é bem lembrada a sua actividade como lavrador, pois bastante se dedicou à agricultura na vasta propriedade designada por “Quinta da Granja”, situada entre Peniche e Atouguia da Baleia, onde nos últimos anos da sua vida ocupava grande parte do seu tempo.
Aos 60 anos de idade, depois de muitos anos no estado de viúvo, celebrou o seu segundo matrimônio com Dona Isabel Ribeiro Artur, solteira, de idade idêntica, filha de um antigo oficial militar que serviu em Peniche e por cá fixou residência, o General Bartolomeu Sezinando Ribeiro Artur, e de sua esposa Dona Maria da Costa Ribeiro Artur.
Faleceu na sua residência, na Rua Alexandre Herculano, acompanhado de sua esposa, a 28 de Janeiro de 1967, com 80 anos de idade, apôs prolongado sofrimento.
Foi figura de grande destaque e da maior simpatia, quern Peniche muito ficou devendo.
A Câmara Municipal de Peniche, por deliberação unânime tomada em reunião de 18 de Julho de 1994 quis perpetuar a sua memória com urna singela homenagem atribuindo o seu nome a uma artéria desta Cidade.
Trata-se do arruamento que liga a Rua do Lapadusso à Rua Cabo Avelar Pessoa, paralela à Rua de Sant Cruz e imediatamente a Poente desta.
Peniche, Outubro de 2008

quarta-feira, novembro 19, 2008

A Ceia de Zé, vista por: Bordalo Pinheiro

Representação da última ceia – Tendo o zé povinho como jesus cristo e os apostolos como os notáveis do partido regenerador ( a esquerda) e do partido progressista (à direita); Fontes Pereira de Melo, o quarto a contar da esquerda é representado como judas e tem do seu lado o próprio rei D. Luís. O desenho vai originar uma querela que levará Bordalo a barra do tribunal.


Em 2008 é tudo diferente !!! O povo é tratado como um Deus, quando chegam as eleições, claro, depois torna-se um diabo, é por isso que é maltratado pelos politicos, nacionais e também REGIONAIS.

terça-feira, novembro 18, 2008

Memórias da Imigração Portuguesa em França I

Imigrantes Portugueses nas Barracas de Saint-Denis em 1967


Barracas de Champigny 1964, corte de cabelo.


Isto é que eram condições de vida confortáveis, não era! Muita gente em Portugal pensava, e infelizmente ainda pensa, que aqui era o paraíso, mas se isto era o paraíso, o que seria o Inferno!

Fotografias do site de: Gérald Bloncourt http://www.bloncourt.net/

segunda-feira, novembro 17, 2008

Na Aula da Parreirinha Bordalo Pinheiro

Lição de ditado- No regime de liberdade de imprensa que felizmente vigora, os jornalistas podem lebirramente escrever ... o que o sr juiz Vega lhes dicta.

Hoje os jornalistas têm mais liberdade?

domingo, novembro 16, 2008

Portugal na Guerra de 1914-1918

O abraço da despedida: O Século Lisboa 16 de Novembro de 1914


No dia 11 de Novembro foi celebrado o 90° aniversário da assinatura do tratado de paz, o armistício.
Conflito em que participaram cerca de 100 000 portugueses, no qual, 4000 morreram, embora em número de vitimas seja uma gota de água em relação aos outros paises, é de nunca esquecer que este conflito foi um dos mais horríveis na memória da humanidade, os únicos vencedores foram os fabricantes de armas e os bancos, como em todas as guerras, se Deus existe que faça com que nunca mais se reproduza uma barbaridade deste tamanho, que infelizmente se tornou a repetir em 1939 45.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Quem foi António de Matos Leitão

Por: Fernando Engenheiro
Seu pai, ADELINO Leitão , nasceu em Peniche, na freguesia de Nossa Senhora da Ajuda, a 10/1/1889, e faleceu com 77 anos de idade, a 20/1/1966, em Peniche, onde jaz sepultado no Cemitério Municipal. Era filho de Rufino Leitão, marítimo e de Gertrudes da Piedade, rendeira (ou rendilheira) naturais da mesma freguesia, onde sempre residiram, mais propriamente em Peniche de Cima.
Com ligação à vida marítima desde a sua infância, seguindo os passos de seu pai, Adelino Leitão ao completar a idade própria para servir nas fileiras do exército, passando ao lado das primeiras letras no ensino primário, foi presente a inspecção sanitária sendo lhe atribuído o número 1 de 1909 da freguesia de Nossa Senhora da Ajuda por onde foi recenseado. Resultou do seu exame ser considerado apto para todo o serviço militar e destinado a Infantaria - 2° reserva.
Eram tempos difíceis. Da época que correspondeu ao cumprimento dos seus deveres militares resultou que ingressando ainda para servir a então Monarquia acabou, depois de 5/10/1910, por servir já sob o governo na República Portuguesa.
Aos 23 anos de idade, a 7/10/1911 , na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Ajuda, freguesia onde nasceu, é cele brado o seu casamento com Cristina da Conceição, rendeira (ou rendilheira), de 21 anos de idade, filha de Joaquim Luis Pacheco e de Gertrudes da Encarnação, também naturais da referida freguesia, bem como sua filha.
Como tripulante e mestre de caíques nesta praça, com conhecimentos de navegação, teve oportunidade de, a partir de 1913, ingressar como patrão do primeiro barco salva-vidas de Peniche de Cima, instalado numa estação abarracada na Praia do Ingueiro, também conhecida por “Praia do Quebrado”.
Aí actuou com grande sucesso, na sua postura como “Lobo do Mar”, em salvamentos de naufrágios nos mares de Peniche de Cima de embarcações dos mais diversos tipos tais como galeotas, traineiras, lugres, carques, chalupas e outras.
Mas o mais destacado naufrágio em cujo resgate participou ocorreu em 2/12/1924. Tratou-se da “chalupa” registada com o nome de “Venturosa” (pequena embarcação portuguesa de um só mastro) em que, depois de conseguir colocar em terra firme toda a tripulação, voltou novamente ao barco, já destroçado pelo forte temporal que assolava toda a zona, para salvar o cão, companheiro da tripulação nas suas viagens, saindo vitorioso desta nobre causa.
Ao longo da sua carreira como patrão do Salva-Vidas foi por algumas vezes medalhado pelo Instituto de Socorros a Náufragos, motivo de grande orgulho para os seus descendentes e outros membros da sua familia.
Nasceu o seu primeiro filho, Joaquim leitão, a 12/2/1913 o quai foi baptizado no dia 23 do mês seguinte.
O segundo filho, José, durou pouco mais de 13 meses, vindo a falecer a 13/6/1916.
O seu casamento não foi de muita duração. A grande epidemia que assolou o Pais apôs a primeira Grande Guerra (1914/1918), designada por “pneumônica”, não poupou Cristina da Conceição que se finou na sua residência na Rua de s. Vicente, aos 28 anos de idade, a 29/10/1918, deixando órfão seu único filho Joaquim Leitão com pouco mais de 4 anos de idade.
Pretendendo dar uma mãe a seu filho, agora desamparado sem o colo materno, depois de respeitar o ano de luto, usual na época, a 6 de Dezembro do ano seguinte é celebrado na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Ajuda o seu segundo matrimónio com Rosalina do Nascimento Matos Pacheco, de 22 anos de idade, filha de Verissimo do Nascimento de Matos e de Maria do Rosário Pacheco, também viúva e na mesma situação com um filho de tenra idade para criar, José do Espirito Santo Cecilio, nascido a 18/6/1916, filho de José dos Santos Cecilio, nascido em 20/9/1892 e falecido no mar em desastre. O mar traiçoeiro nunca devolveu seu corpo, ficando para sempre ali sepultado. Era filho de João dos Santos Cecilio e de Maria de Jesus Chaves.
Ao longo da sua vida, mais propriamente depois do segundo matrimónio, com muito trabalho e mais protegido pelo factor sorte, foi arrais de carques, depois de traineiras e aos 40 anos de idade era armador correspondendo assim aos desejos de sua esposa que há muito ambicionava vê-lo abandonar a luta contra o mar, pois que já tinha perdido o seu primeiro marido em condições idênticas.
Em terra dava ordens aos mestres das suas traineiras “Rosalina” e “Zita” dizendo-lhes onde deviam lançar a rede, regulando-se pelos astros no que nunca falhava, o que o levou a ser uma figura do mar bem conceituada e respeitada da praça de Peniche.
A 8 de Dezembro de 1924, nasce em Peniche de Cima, resultado daquele matrimônio, ANTÓNIO DE MATOS LEITÃO, baptizado no ano seguinte a 12 de Abril na pia baptis mal da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda. Foi seu padrinho Joaquim Cristóvão da Silva, empregado industrial, e sua madrinha a Virgem Maria da Ajuda, orago daquele templo, que foi representada no ritual por um procurador, Américo Sales, marítimo, que tocou com a sua prenda, tendo como assis- tente o Administrador Espiritual Padre José Francisco Freire, Pároco daquela freguesia. Outros irmãos se lhe seguiram e deles dois chegaram até aos nossos dias: Maria Zita de Matos Leitão e Adelino Leitão Júnior.
Adelino Leitão confiou todos os seus filhos, que foram 11 (sendo 10 do sexo masculino e 1 do feminino - 9 do segundo casamento) à divina protecção da Virgem Maria da Ajuda como madrinha. Nestes casos era muito comum, no que respeita às raparigas, chegadas à puberdade, oferecerem as suas tranças a Nossa Senhora, com um pedido de garantia de casamento e de feliz maternidade (a maternidade era na época a grande preocupação das mulheres, pelos riscos de morte que ela implicava).
À mãe Rosalina de Matos, como ainda hoje acontece em todo o ambiente marítimo, coube a tarefa de ensinar seus filhos e de os enviar para s apropriados à sua cultura, educação e bem estar.
Na idade própria para aprender as primeiras letras, Antônio de Matos LEITÃO , depois da catequese na sua freguesia e da escola particular (o ensino pré-escolar da época) na casa da ainda hoje bastante recordada “Dona Maria Mexas”, frequentou a Escola Primária n°1 de Peniche (agora vulgarmente conhecida entre nôs por “Escola Velha”) onde fez o exame de instrução primária do 2. Grau (Quarta Classe) sendo sua mestra durante os quatro anos lectivos (da 1° à 4. classe) D. Ema Trigo Teixeira.
Logo de seguida, apôs o exame de admissão ao liceu, frequentou o Instituto D. Luis de Ataíde em Peniche (então com o Curso dos Liceus), na antiga Rua Almirante Reis, actu al Avenida do Mar, transferindo-se com frequência adiantada para o Liceu Nacional de D. João de Castro, em Lisboa, onde concluiu a 6 de Junho de 1 944 o Curso Geral dos Liceus - Segundo Ciclo - com a classificação de 12 valores.
Aos 19 anos de idade, ao dar os primeiros passos no cumprimento dos deveres militares, na Câmara Municipal de Peniche, apresenta-se como estudante. Coube-Ihe o ni de recenseado 3 de 1945, pela freguesia onde nasceu.
A 16 de Julho de 1945 foi presente à inspecção sanitária da Junta de Recrutamento com o resultado de apurado para todo o serviço militar. A 19 de Setembro do ano seguinte assentou praça como recrutado no Quartel de Póvoa do Varzim. Passou à disponibilidade em 8 de Agosto de 1947, por ter terminado a obrigação de serviço, com a patente de Furriel Miliciano.
Com alguma experiência de escritório, no ano que se seguiu ao cumprimento dos seus deveres militares, concorreu na Câmara Municipal de Peniche para um lugar em aberto de escriturário de 3° classe do respectivo Quadro Privativo.
Cumpridas as formalidades legais, depois do concurso e das informações do Governo Civil do distrito confirmando que reunia as condições de idoneidade politica indispensável para poder ser nomeado, tomou posse a 20 de Janeiro de 1949, com o vencimento anual de seis mil e seiscentos escudos.
Sentindo-se apto para constituir familia, com as remunerações que lhe vinham da função pública que exercia e da sua actividade como empregado de escritório em horário pôs laboral e a colaboração dada pelo seu pai em sociedade que o tornou armador, a 8 de Agosto de 1951 realiza o seu matrimônio no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Peniche, com Maria de Lourdes Ribeiro, de 22 anos de idade, assistente no Posto Antitracomatoso em Peniche, natural da freguesia de S. Pedro, filha de Pedro da Glória Ribeiro, marítimo e de Lúcia Maria, doméstica, naturais da freguesia de S. Sebastião de Lagos, tendo como Padre assistente Victor Franco, natural do lugar de Geraldes deste Concelho.
Tal como acontecera a seu pai no seu primeiro matrimônio, também o seu casamento foi de pouca dura. Sua esposa Maria de Lourdes sucumbiu, com graves problemas cardíacos depois de pouco mais de dois anos de casamento, a 15 de Dezembro de 1953.
Tendo vagado um lugar de escriturário de 2. classe do Quadro Privativo da Câmara Municipal (por João Maria Viçoso Freire ter passado a desempenhar um cargo de 3 Oficial na Junta de Província do Minho) Antônio Leitão foi promovido nessa vaga, de que tomou posse a 1/5/1954 com o vencimento mensal de 1.200$00.
No ano seguinte, a 18 de Abril, contraiu o seu segundo matrimônio com Maria Florinda Pinheiro Guilherme, no Santuário de Nossa Senhora de Fátima.
Ao longo de 11 anos, no periodo que decorreu entre 20/1/1949 e 31/3/1960, desempenhou funções no Municipio, em regime de horário completo.
A partir de 1/4/1960, a seu pedido, foi-lhe concedida licença ilimitada sem vencimento, ao abrigo do artigo 516. do Código Administrativo, por deliberação camarária de 15/2/1960.
Mais tarde apresentou pedido para se desligar definitiva mente do serviço municipal. A exoneração pedida foi aprova da em reunião camarária de 23/1/1965.
Pouco tempo depois foi convidado pelo então Presidente da Câmara Municipal de Peniche, Victor João Albino de Almeida Baltazar, para ocupar o lugar de Vice-Presidente daquele Corpo Administrativo, em substituição de José Acúrcio Vidal de Carvalho, que antes havia sido Chefe da Secretaria Municipal, cargo que aceitou.
Na qualidade de Presidente em exercício testemunhou a passagem das funções de Presidente da Câmara Municipal de Peniche de Victor Baltazar para Francisco de Jesus Salvador. O Presidente cessante confirmou a colaboração que lhe havia sido dada por Antônio Leitão com um espirito de camaradagem, lealda de e nobreza de caracter que sempre teve no exercício das suas funções, o que o tornou credor de muita admiração e apreço.
Prosseguia a sua actividade como Vice-Presidente da Câmara Municipal quando este Corpo Administrativo é confrontado com a noticia de que Antônio Leitão decidira ir com sua familia fixar residência na então Província de Moçambique, por razões meramente particulares.
Os seus dotes pessoais foram reconhecidos pela Edilidade de então num voto aprovado em reunião camarária de 16 de Maio de 1973 que passo a transcrever:
“VOTO DE LOUVOR AO EXCELENTE VICE-PRESI DENTE, ANTONIO DE MATOS LEITÃO - A Câmara considerando que o Senhor Antônio de Matos LEITÃO vai deixar as funções de Vice-Presidente deste Corpo Administrativo por virtude de fixar residência em Moçambique, deliberou, por unanimidade e por proposta do Excelentíssimo Presidente, observado o disposto no artigo trezentos e quarenta e nove do Código Administrativo, exarar em acta um voto de louvor e reconhecimento ao Senhor Antônio de Matos Leitão porque, durante os cinco anos em que serviu o concelho como Vice-Presidente da Câmara, se revelou, sempre e em todas as circunstâncias, um dirigente distinto, digno, aprumado, de extrema lealdade e integridade, o que, aliado à sua privilegiada inteligência, excepcional competência e raros dotes de dedicação ao bem público contribuiu para que os Serviços da Câmara da órbita da sua actuação tenham funciona do sempre com uma eficiência digna de realce, pelo que é com muita mágoa que o vê deixar de pertencer ao ni dos que trabalham para o bem estar e progresso do concelho’
Embora desempenhando ultimamente as funções de Vice-Presidente, o seu nome desde há longos anos que andava em continuo peregrinar pelas direcções de diversas colectividades, organismos corporativos e de assistência, ensino em estabelecimentos particulares em Peniche e tantas outras actividades, com particular destaque para a sua passagem pela Direcção do Grupo Desportivo de Peniche, o que é teste munho das suas qualidades de trabalho e desejos de bem servir dentro da comunidade.
Na véspera da sua partida para Africa, um grupo de amigos tomou a iniciativa de lhe oferecer um jantar no restaurante “Gaivota”, com a presença do então Presidente da Câmara Municipal, Francisco de Jesus Salvador, jantar que decorreu num ambiente de profunda amizade mútua.
Algum tempo depois António Leitão fixou residência na cidade de Montreal, no Canadá, grande centro de emigrantes portugueses, possivelmente à procura de uma vida mais estável para o seu agregado familiar.
No passado mês de Abril, no dia dois, chegou ao nosso conhecimento a triste noticia do seu falecimento naquele longinquo país, depois de prolongado sofrimento provocado por doença a que não resistiu.
Os membros da sua familia, que acabaram por ali criar raízes familiares, concordaram em que os seus restos mortais ficassem sepultados naquela cidade.
Também a viúva, D. Maria Florinda, por là ficou rodeada pelos filhos do casal que são: Carlos Jorge Pinheiro Leitão, de 52 anos; Maria Teresa, de 49; Helena Margarida, de 46; Antônio Manuel, de 42 e João Pedro, de 37.
Com este trabalho quero prestar uma singela homenagem à memória do Senhor António de Matos Leitão , colega de trabalho na Secretaria da Câmara Municipal de Peniche de 1951 a 1960, manifestando o meu reconhecimento por todos os ensinamentos que dele recebi, mesmo depois como meu superior hierárquico no desempenho das funções de Vice Presidente da Câmara Municipal.

sábado, novembro 08, 2008

Postais da iIha da Berlenga












Nostalgia & Talvez Também Saudades para muitos.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Iluminação dos faróis: óptica Fresnel


As ópticas dos faróis ao longo dos anos


óptica Fresnel, modelo instalado em 1823 em varios faróis.
Constituído por 8 lentes montadas a volta da lâmpada central, num tambor rotativo
.

terça-feira, setembro 30, 2008

O Farol do Cabo Carvoeiro ao longo dos anos

Local Península de Peniche
Altura 27 m
construído em: 1790
Engenheiro: Castanheira das Neves
Alcance: 15 milhas
Coordenadas : Latitude 39° 21' 54” Norte
Longitude 9° 22' 45” Oeste
Automatização 1988
elevação/nível do mar 57m
Optica: Tambor de ópticas seladas Fresnel






O Farol do Cabo Carvoeiro faz parte do grupo de seis faróis mandados edificar pelo alvará pombalino de 1 de Fevereiro de 1758 que criou o Serviço de Faróis em Portugal. Entrou em funcionamento em 1790, sendo um dos mais antigos da costa portuguesa.
A sua torre original, de secção quadrada com 20,9 metros de altura, era constituída por três corpos, sendo o da base um tronco de pirâmide, encimado por dois paralelepípedos. No seu topo estava instalada um lanterna de oito faces com 8,2 metros de altura. Junto da torre existiam alguns edifícios e uma igreja que em 1865 se encontrava em ruínas e era identificada como sendo a Ermida de N. Sª. da Vitória, sobre a qual consta ter existido uma luz para guiar os navegantes.
Pouco se sabe do seu equipamento inicial embora se imagine que devia consistir de um conjunto de candeeiros de Argand com reflectores parabólicos, semelhante aos utilizados noutros faróis seus contemporâneos. Era precisamente uma árvore com 16 candeeiros de Argand que o equipavam, de acordo com uma descrição do Engº Hidrógarfo Pereira da Silva em 1865.
A “Comissão de Pharois e Balisas” incumbida em 1881 de elaborar um “Plano de Alumiamento das Costas, Portos e Barras do Continente e Ilhas Adjace ntes”, considerou o farol em muito mau estado e determina a sua reedificação .
Um Aviso aos Navegantes de 1 de Fevereiro de 1886 indicava que o novo farol estava pronto, com uma torre de 20,6 metros encimada por uma lanterna de 5 metros de altura por 2,5 de diâmetro, estava equipado com um aparelho óptico de 3ª Ordem, provido de um candeeiro a petróleo de três torcidas, apresentando uma luz fixa vermelha com cerca de 17 milhas de alcance, o que, não sendo elevado, era suficiente pois este apenas serve quem navega nas proximidades do canal entre as Berlengas e Peniche, residindo a necessidade de maior alcance na Berlenga, situada 5,5 milhas a oeste deste.
Em 1886 foi dotado de um sinal sonoro constituído por uma trombeta de palhetas, activado por ar comprimido armazenado em grandes reservatórios para onde era carregado através de um compressor a vapor de 4 cavalos. Este sinal era estabelecido pelos faroleiros em condições de visibilidade reduzida, sendo actualmente um sistema electroacústico activado por um detector automático de nevoeiro.
O aparelho lenticular de 3º Ordem foi substituído em 1923 por um girante de 4ª Ordem, passando a apresentar quatro relâmpagos em substituição da luz fixa, mas mantendo a cor vermelha. A fonte de energia do aparelho iluminante passou a ser o gás em 1947 e em 1952 foi instalada a lâmpada eléctrica.
No ano de 1949 foi montado no recinto, um radiofarol, que viria a ser extinto em 2001 por ter deixado de ser útil à navegação.
O farol foi automatizado, em 1988 com a instalação de um novo aparelho óptico/ /iluminante composto de um tambor com ópticas seladas. Este sistema consiste de um conjunto de ópticas seladas do tipo das utilizadas nos automóveis, fixas nas faces de um prisma hexagonal, apresentando uma baixa relação alcance/consumo.
O farol é guarnecido por oito faroleiros que, além de manterem o assinalamento marítimo da região, guarnecem desde 1975 o Farol da Berlenga, em grupos de dois e por períodos de uma semana.

Texto extraído do site: http://www.marinha.pt/extra/revista/ra_jan2004/pag_35.html

terça-feira, setembro 23, 2008

sábado, setembro 20, 2008

QUEM FOI FRANCISCO DE JESUS SALVADOR

Por: Fernando Engenheiro
Seu pai, MANUEL SALVADOR DA SILVA, nasceu em Peniche, na freguesia de Nossa Senhora da Ajuda a 6/4/1891 e faleceu a 4/6/1951. Era filho de Joaquim Salvador da Silva, marítimo e de Lúcia de Jesus Machado, doméstica.
Com ligação à vida marítima desde a sua infância, Manuel Salvador ao completar a idade própria para servir nas fileiras, passando ao lado das primeiras letras no ensino primário, teve a oportunidade de, a 13/6/1911, ingressar como tripulante do barco salva-vidas de Peniche de Baixo dando assim cumprimento aos deveres militares ao abrigo do Art° 14 - § único - do Decreto de 26/5/1911. A Estação de Socorros a Náufragos estava instalada num barracão construído em madeira em frente do bico nascente/norte da Fortaleza, no antigo Portinho de Revez.
Desamparado do calor materno, ainda de tenra idade ficou órfão. Seguindo os passos de seu pai, único ascendente que lhe restava, a sua vida foi o mar.
Com muito trabalho e protegido pelo factor sorte, foi mestre de caíques, depois de traineiras e, ainda muito novo, armador, o que o levou a ser considerado um dos mais bem conceituados e respeitados da praça de Peniche.
Manuel Salvador casou em 1912, com 21 anos de idade, no dia 24 de Julho (dia em que a Igreja Católica inclui no calendário litúrgico a celebração da festa de Santa Cristina, Virgem e Mártir), com Cristina Martins Salvador, de 19 anos de idade, nascida em Peniche a 21/3/1893, filha de Francisco Martins, calafate, e de Albertina de Jesus Martins.
Atendendo à sua situação militar, pois não tinha qual quer remuneração pelo serviço público que estava a cumprir, não lhe era possível ter casa própria. Seus sogros compartilharam consigo sua habitação na rua Elias Garcia, nasce o varão da familia, FRANCISCO DE JESUS SALVADOR. Poucos dias depois do seu nascimento foi baptizado na Igreja Paroquial de S. Pedro, tendo como padrinhos seus avôs maternos.
A sua mãe coube a tarefa de ajudar como rendeira (rendilheira) a suportar as despesas do seu lar e, como ainda hoje acontece em todo o ambiente marítimo, é à mãe que cabe ter o cuidado de encaminhar seus filhos para sítios apropriados à sua futura cultura, educação e bem estar. Na idade própria para aprender as primeiras letras, depois da catequese, frequentou a escola primária n°1 de Peniche (agora vulgarmente conhecida entre nós por “Escola Velha”), onde concluiu o exame de instrução primária do 2° grau (Quarta Classe) no dia 18/7/1928 com a aprovação de 15 valores, dada pelos examinadores D. Urbana Trindade (Presidente do Júri) e Francisco Maria Freire e D. Maria Angélica Martins (Vogais), sendo o mes tre que o preparou ao longo dos quatro anos lectivos (da 1° à 4° classe) Francisco Maria Freire.
Aos 19 anos de idade ao dar os primeiros passos no cumprimento dos deveres militares, na Câmara Municipal de Peniche, apresenta-se como empregado no comércio e tendo como habilitações literárias o 2° grau da Instrução Primária.
Na verdade no ano lectivo de 1936-37, com a média de 13 valores, concluiu o Curso de Comércio na Escola Industrial e Comercial Rafael Bordalo Pinheiro, em Caldas da Rainha.
No ano que se seguiu à conclusão do seu curso trabalhou, em 1937-39, como professor de Caligrafia, Contabilidade e Correspondência Comercial no Instituto D. Luís de Ataíde, em Peniche, estabelecimento de ensino que existiu na Rua Almirante Reis, actual Avenida do Mar.
Na mesma época, começou por se ligar aos interesses da Terra como membro da Comissão Municipal de Turismo, com grande êxito, nos anos que se seguiram 1937/39 e 1940/1949 (com alguns intervalos).
Seguindo os passos de seu pai, os seus bons conselhos e o seu exemplo, tornou-se armador de pesca com a traineira “Lilés” (a mão e o grande apoio de seu pai, explorando o seu saber, estava là). Foi, com êxito, proprietário de diversas traineiras ao longo dos tempos: “Campeão” e “Atleta” e coproprietário das traineiras “Sansão e “Desportista”. Foi também sócio gerente de uma firma de atuneiros sediada em Aveiro.
Em 21/8/1943, com 28 anos de idade, Francisco de Jesus Salvador celebrou o seu matrimónio, na Paroquial de S. Nicolau, na cidade de Santarém, com Carlota Maria da Silveira Pinto da França, de 23 anos de idade, nascida a 23/9/1919 na Vila de Mafra, filha de Bento da França Pinto de Oliveira e de Emilia Albertina Cristiano da Silveira. A familia de sua futura esposa vinha passar férias de veraneio a Peniche desde 1938. Justifica-se o casamento em Santarém dado que a sua noiva ali residia, desempenhando seu pai as funções de Comandante do Quartel de Cavalaria daquela cidade.
o distinto oficial seu sogro, na década de 50, com patente de Coronel, exerceu as funções de Chefe da Casa Militar do Presidente da Republica Portuguesa, Francisco Higinio Craveiro Lopes. Era descendente do l° Conde da Fonte Nova, Bento da França Pinto de Oliveira, nascido a 6/11/1793 e falecido a 14/12/1852, a quem sucedeu seu filho, com o titulo de 2° Conde, Luis Paulino de Oliveira Pinto da França, falecido a 9/5/1888, e outros que lhe sucederam.
Francisco Salvador, sempre tratado com muito carinho por aqueles que o rodeavam por “Senhor Chico Salvador”, após o casamento fixa residência numa casa, de arquitectura muito apreciada na época, mandada construir por seu pai, possivelmente como dote de casamento, nos novos arruamentos do Mercado Municipal (na actual Rua Arquitecto Paulino Montez).
Suas irmãs, que se seguiram ao seu nascimento, Ivone Salvador, Gisela Salvador e Madalena Salvador, também foram contempladas pelos seus pais com as suas habitações, aquando dos seus casamentos.
Do enlace matrimonial de Francisco Salvador e Carlota Bento da França nasceram, além do primeiro filho, Manuel Bento Pinto da França Salvador, falecido com apenas dois dias de vida: Helena Maria Pinto da França Salvador, nascida a 29/5/1944 - Maria Cristina Pinto da França Salvador, nascida a 28/3/1947 e Francisco Manuel Pinto da França Salvador, nascido a 17/11/1950.
A sua situação profissional, aliada ao facto de então em Peniche só serem possíveis estudos até ao 2° ano do Liceu, levou-o a optar por arranjar em Lisboa uma segunda habitação onde os filhos puderam completar os seus estudos desde 1959.
Ao longo da sua vida, sempre que lhe era possível, como grande amante que era da fotografia e do cinema, expôs diversas vezes e obteve um 2° prémio num Concurso promovido pelo SNI (Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo) e diversas menções honrosas em vários outros concursos. Realizou uma curta-metragem de animação que foi projectada em primeira mão na Mostra de Cinema de Animação do Estoril. Igualmente se dedicou à pintura e aguarela, embora sem grande expressão. Filatelista de mérito, angariou vasta colecção de selos nos temas: mar e bancos, e generalista nacional.
Recordando o seu tempo de jovem é de referir que se dedicou com bastante sucesso à prática do ténis, modalidade onde obteve diversos prémios em concursos realizados em Peniche, nas Caldas da Rainha e outras localidades, e que praticou, embora com menos assiduidade nos últimos tempos, até aos seus sessenta anos.
Como membro da Comissão Municipal de Turismo em diversas ocasiões, participou na organização de numerosos concursos de pesca e outros eventos.
Aos 53 anos de idade estava em plena actividade desempenhando os cargos de Director do Grémio dos Armadores da Pesca da Sardinha; Vogal da Junta Disciplinar da Corporação da Pesca e Conservas; Representante da Corporação da Pesca e Conservas no Conselho Técnico das Escolas de Pesca e na Junta Central dos Portos. Isto no plano nacional. No plano local era Vice-Presidente do Clube Naval de Peniche e Presidente da Assembleia Geral do Grupo Desportivo de Peniche (duas colectividades de que foi fundador). E então convidado para o desempenho das funções de Presidente da Câmara Municipal de Peniche.
A 13/9/1969, em cerimónia oficial, procedeu-se à passagem do testemunho do anterior Presidente da Câmara Municipal, Victor João Albino de Almeida Baltazar para FRANCISCO DE JESUS SALVADOR.
Deslocou-se a Peniche o então Governador Civil do Distrito, Doutor José Damasceno de Campos que, no Salão Nobre do Edifício dos Paços do Concelho lhe conferiu a posse do referido cargo, na presença de elevado número de representantes dos mais diversos sectores da sociedade local, como o atestam as 120 assinaturas que testemunham as presenças no referido acto.
Não foi muito longa a sua permanência à frente dos destinos do Concelho, em consequência da alteração politica resultante do 25 de Abril de 1974. A sua passagem pela direcção do Municipio ficou ligada à construção de um novo Bairro na Fonte Boa (o que permitiu a extinção das miseráveis e numerosas barracas então ali existentes). Igualmente foi importante a sua acção no arranjo dos acessos aos pesqueiros das marginais de Peniche, dos acessos e estacionamentos da praia do Molhe Leste, do arranjo da Praça Jacob Rodrigues Pereira, Jardim Público, etc.
O abandono das funções de Presidente da Câmara, por imposição da legislação criada pelo novo regime do País , não fez cessar a sua actividade a favor da terra que o viu nascer. Em Janeiro de 1979 foi eleito Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Peniche, cargo que desempenhou até ao fim da sua vida. O mesmo se passou também relativamente ao cargo de Presidente do Núcleo Local da Cruz Vermelha Portuguesa.
Na Santa Casa a sua actividade foi sobretudo assinalada pela salvaguarda do património construído da instituição (são disso exemplo os restauros da Capela do Senhor do Calvário e da Igreja da Santa Casa da Misericórdia). A gestão do ATL de Sant’Ana, reparações e reconstruções de alguns outros prédios marcaram também a sua passagem pela direcção da prestigiada instituição.
Aos 71 anos de idade, na sequência de prolongada doença, faleceu a 29 de Maio de 1987, no Montepio de Caldas da Rainha.
Foi a sepultar no Cemitério Municipal de Sant’Ana, em Peniche, junto de seu avô e padrinho (falecido com 82 anos de idade a 18/1/1953), a seu pedido.
A Câmara Municipal de Peniche, em reunião de 2/3/1993, aprovou uma homenagem a esta figura ilustre, perpetuando o seu nome numa das ruas da nossa cidade. Trata-se do primeiro arruamento que, para Norte, começa na Rua dos Dominguinhos, atravessando a Rua das Vinhas, e se prolonga para Norte, paralelo à Rua da Fonte de Nossa Senhora do Rosário, que lhe fica a nascente.
Alguns anos, depois a 10/1/2004, com 84 anos, faleceu na sua residência a viúva, D. Carlota Maria da Silveira Pinto da França Salvador. Foi a sepultar no Cemitério Municipal de Santana, junto de seu marido.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Bombeiros Voluntarios de Peniche Em Pleno Exercicio




Alguém conhece a data em que foram tiradas estas fotos?

quinta-feira, setembro 18, 2008

O sonho Americano em perigo EDUARD N LUTTWAK

Mais il est maintenant évident qu’il y a un défaut fatal dans le fonctionnement actuel du système : les banques d’affaires qui en sont les piliers n’ont objectivement aucun intérêt à faire des investissements (ou quoi que ce soit) sur le long terme. Leurs revenus ne proviennent pas de dividendes, d’intérêts ou de bénéfices liés à des activités productives, mais de commissions touchées à chaque transaction. Chaque fois qu’ils consentent un prêt, les banquiers touchent une commission. Il y a couramment des commissions de plusieurs millions de dollars, parfois plus. Dans l’OPA la plus fameuse à ce jour qui disposa de RJR Nabisco pour 25 milliards de dollars, Drexel Burnham Lambert reçut une commission de 227 millions de dollars pour avoir obtenu des banques commerciales un prêt-relais de 3,5 milliards et Merril Lynch en toucha une de 109 millions de dollars pour avoir arrangé un autre prêt-relais (afin de combler le trou entre la date de l’OPA et la cession, contre de l’argent frais, d’une partie de RJR Nabisco); un regroupement de deux cents banques, qui prêtait quant à lui 14,5 milliards de dollars, reçut une commission de 325 millions, tandis que Morgan Stanley et Wasserstein Pereira touchaient 25 millions de dollars chacun pour leurs conseils. De plus, Drexel Burnham Lambert gagna à côté une somme encore plus importante en rassemblant quelques milliards de liquidités supplémentaires pour l’OPA elle lança sur le marché ses « obligations pourries » à haut risque, aujourd’hui décriées, en les vendant à des financiers pris au piège (qui ne les achetèrent que parce qu’eux-mêmes avaient besoin d’« obligations pourries » pour leurs propres affaires) et à des organismes d’épargne et de prêt, ainsi qu’à
des caisses de retraite, qui n’auraient jamais dû investir leur argent dans du papier aussi douteux.
Même si la plupart des commissions sont moins importantes, elles représentent cependant des millions de dollars gagnés en quelques jours ou en quelques heures et cet argent est généreusement reversé aux banquiers d’affaires eux-mêmes, sous forme de salaires et de primes. L’argent réellement investi à des fins productives est, de leur point de vue, de l’argent qui dort et de l’argent inutile. Ce qu’ils veulent, ce sont des transactions, aussi nombreuses que possible. Dans l’idéal, il faut qu’il y ait une OPA contre une entreprise cotée en Bourse, de préférence une OPA hostile (ce qui engendre des commissions de part et d’autre). Puis le vainqueur devra rembourser les prêts à taux d’intérêt élevé dont il a eu besoin pour racheter l’entreprise, en vendant ses propres divisions, départements ou actifs (et en payant des commissions pour leur cession). Puis le vainqueur voudra émettre de nouvelles actions (en payant des commissions pour la souscription) afin de prendre rapidement son bénéfice sur le marché boursier, au lieu d’attendre des profits productifs (qui n’engendrent pas de commissions). Enfin, l’entreprise étant de nouveau cotée en Bourse, ses actions pourront être achetées à l’occasion d’une nouvelle OPA, et le cycle pourra recommencer.
Le résultat le plus évident de tout cela, c’est de détourner des milliards de dollars (qui auraient pu aller à des constructeurs, à des fabricants d’équipement, à des équipes de recherche) vers les comptes courants personnels des banquiers d’affaires qui les réinvestissent en partie de manière productive mais qui, pour une large part, les dépensent pour leur propre consommation, en biens luxueux.
Mais un résultat encore plus nocif, dès que le dernier krach et le dernier lot de scandales et de procès, de faillites et de banqueroutes seront bien oubliés, c’est l’infection du monde des affaires tout entier par la fièvre du « dollar vite gagné ». Car les banquiers d’affaires et leurs intermédiaires son propre compte, il avait été constamment sollicité et tenté par des banques d’affaires avides de commissions 6, Ils ne cessaient de lui répéter que ses jets Gulfstream, ses multiples résidences de fonction, ses fameux tournois de golf, son énorme salaire et sa retraite annuelle garantie de sept cent mille dollars (ou l’indemnité de quarante-neuf millions de dollars en cas de licenciement) n’étaient que de la roupie de sansonnet comparés à ce qu’il pourrait arracher à Nabisco s’il se débarrassait des actionnaires. Et Ross Johnson n’est pas une exception de fait, dans tout le pays, les dirigeants d’entreprises, qu’elles soient grandes ou petites, ont été fréquemment distraits de la marche de leurs affaires pendant la dernière saison flamboyante de Wall Street, et le seront à nouveau à la prochaine.

sexta-feira, setembro 12, 2008

PADRÕES COM REFERÊNCIAS AOS NAUFRÁGIOS DO GALEÃO “SAN PEDRO DE ALCANTARA” E DA BALANDRA “EL VENCEJO”, AMBOS DE ORIGEM ESPANHOLA, NAS COSTAS DE PENICHE

Por: Fernando Engenheiro
Na noite de 2 de Fevereiro de 1786 o galeão espanhol “San Pedro de Alcantara” teve o seu fim na costa Norte de Peniche, mais exactamente nos rochedos da Papoa onde, pela ignorância ou desinteligência de três pilotos que o dirigiam, veio perder-se com óptimo tempo e mar sereno.
Carregado com um valor imenso, quase tudo ah se perdeu e, com o seu precioso carregamento, foi perdida a vida de cerca de 300 pessoas que pereceram afogadas, salvando-se pouco mais de 170 vidas, entre soldados, tripulantes e passageiros.
Ainda o pesadelo que foi este naufrágio estava a ser sentido por todos - inclusive pela própria população de Peniche que ocorreu ao salvamento oferecendo agasalhos, comestíveis e as próprias casas aos sobreviventes — quando, 3 meses depois, a 28 de Abril, uma outra embarcação e a balandra “El Vencejo”, que viera propositada mente para trabalhar na recuperação dos salvados do “San Pedro de Alcantara”, já com algum carregamento aproveitado, não pôde vencer um impetuoso vendaval, rebentou as amarras e veio a destroçar-se na praia de Peniche de Baixo, apesar dos esforços da tripulação e dos socorros de terra. Perderam-se mais de 92 vidas, salvando-se apenas 12.

Entre os falecidos encontravam-se alguns sobreviventes do primeiro naufrágio que regressavam as suas origens. Nova fatalidade impediu assim que chegassem ao seu porto de destino.
Como é sabido, a população de Peniche, os religiosos da ordem franciscana que tinham perto o seu Convento (Bom Jesus de Peniche) e a guarnição militar aqui fixada na Forta leza de Peniche deram assistência aos feridos e enterraram os náufragos do “San Pedro de Alcantara” falecidos. Ali, muito perto do local do naufrágio, foi aberta uma vala comum, numa enseada deserta, denominada “Porto da Areia Norte”, onde foram inumados alguns corpos que, possivelmente por já se encontrarem em decomposição, não foi possível sepultar nas igrejas existentes, pelos perigos que daí poderiam advir para a saúde pública.
O Governo Espanhol quis perpetuar a sua memória encomendando um simples e humilde monumento, mas com muito significado, que consistia numa cruz de pedra, semelhante às de S. Tiago (com as pontas clavetadas ou chavetadas), para mandar colocar sobre o espaço ocupado pelos restos mortais daqueles infelizes náufragos.
Possivelmente por um dos náufragos ail inumados ser um dos oficiais de maior patente daquela guarnição flutuante, foi gravado na pedra o seguinte epitáfio:
“Aqui jase Don Vicente Vargas y Varaes,
Teniente de Fragata de la Real Armada
de S. M. Católica, que naufragó
en el navio de guerra Espanhol San
Pedro de Alcantara nel sitio de
la Papoa la noche del dia 2
de Feberero de 1786”
Era este monumento ali colocado a única recordação de tão desastroso acontecimento - de tanta celebridade que, entre os povos circunvizinhos de Peniche, ficou marcando uma época e que acabava por servir de ponto de partida para as suas recordações cronológicas.
O Governo Espanhol quis também perpetuar a memória do naufrágio da balandra “El Vencejo” com monumento seme hante, mandado colocar junto aos seus náufragos inumados numa zona hoje mal identificada pois a maldade ou incúria dos homens o destruiu para sempre, sem deixar qualquer rasto dos seus destroços.
Julgo que se situava numa pequena ilha de terra seca, nica na época, formada em todo o Murraçal de Peniche de Cima, fora das muralhas, mais propriamente no sitio onde hoje está implantado um posto de transformação de energia eléctrica, a Sul do antigo muro da já desaparecida fábrica “Benito Garcia” (que deu lugar às instalações do “Intermarché”).
No Livro de Actas da Câmara Municipal de Peniche de 1843/1 850, a fls. 122 v., (data ilegível), consta que um grupo de emigrados espanhóis, à guarda do Depósito de Presos na
Fortaleza de Peniche, adivinhando o que o futuro reservava para aqueles monumentos, apresentou um requerimento à Câmara Municipal nos seguintes termos:
“Requerimento dos Emigrados Hespanhóis residentes neste Depósito pedindo licença para trasladarem os restos inanimados de seus compatriotas que há coisa de uns sessenta anos se achão colocados debaixo de duas cruses no norte desta Península como attestão as inscripções lavradas nas bases das mesmas cruses para o Cemitério público desta Villa, e a Câmara tendo ponderado a este respeito acordou o seguinte: - Que obtida a licença da Junta de Parochia para a demolição dos monumentos que attestão a existência dos restos que annuncião em seu requerimento, se lhes concede a licença pedida’
Tudo ficou sem efeito na sessão seguinte, da qual a fls. 123 v. (data ilegível), se relata o seguinte:
“Foi presente um requerimento de vários habitantes desta Villa, mostrando a sua desaprovação à licença que esta Câmara tinha concedido aos Emigrantes Hespanhóis para introdusirem no Cemitério os restos de seus Compatriotas que há sessenta annos se achão enterrados junto de duas cruses’
Ao descrever estes episódios passados em meados do século dezanove, recordo aquilo que, pouco mais de cem anos depois, eu acabei por fazer com o cruzeiro do Porto de Areia do Norte.
Estava-se no último lustro da década de 50 do século passado e eu, que já há alguns anos era funcionário municipal, tinha conhecimento de que a Edilidade de então, administrada por António da Conceição Bento, tinha encomendado ao João dos Santos Fernandes Afra, mais tarde escultor, o levantamento topográfico daquela zona, bem como a elaboração de um “croquis” dando uma ideia para o seu ajardinamento, ficando o antigo cruzeiro em destaque sem que para isso fosse necessária qualquer remoção do monumento.
O tempo foi passando. A ideia era boa, mas a execução não passava da gaveta sem a devida autorização para avançar. Por diversas vezes ali passei e muito me custava ver a degradação que o monumento vinha apresentando. A base em que se assentava a peanha que em tempos ostentava a cruz estava no chão. Já tinha sido retirada uma das duas pedras gémeas onde assentava a referida peanha possivelmente para servir de poita a qualquer traineira dado o seu formato. Ao que me foi dado saber a grande destruição do monumento não era só resultado da mão do homem mas também do encosto da cabeça de uma vaca tresmalhada que embirrou com monumento provocando o que estava à vista.
Sem qualquer impedimento, pus mãos à obra e procurei preservar o que restava. Com o auxílio de dois trabalhadores eventuais do Município, procedi à remoção das peças existentes para o espaço vedado que circunda o depósito de água (conhecido por filtro de Peniche de Cima) que lhe ficava ali perto. Iria em breve cumprir o serviço militar no Ultramar e receei que quando voltasse já nada existisse, pois entretanto a Administração Municipal jé era outra.
Quatro anos depois, quando regressei, tudo estava como deixei. Pouco tempo depois promovi a remoção do monumento para um lugar de destaque no rés do chão do antigo edificio do Largo do Município que durante alguns anos serviu de sede da Biblioteca Municipal.
Tive o cuidado de o completar colocando-lhe uma cruz do modelo primitivo (o que sô foi possível por ter à minha guarda no Arquivo Municipal o desenho executado pelo já citado João Afra) embora com a pequena alteração por ter de considerar a altura do pé direito do piso onde foi colocado.
Tudo isto foi feito com a melhor das intenções e sujeito a contratempos.
Hoje ao ver este simbólico monumento em sítios mais destacados, sinto que contribuí para a preservação de valioso testemunho da brutal tragédia ocorrida nesta terra há 222 longos anos. Pena é que outros não tivessem feito o mesmo com o cruzeiro da balandra “El Vencejo”.
Peniche, Agosto de 2008.